Igreja Senhor Menino Jesus no centro de Poconé, cidade no Alto Pantanal, distante 100 km de Cuiabá por rodovia pavimentada.
Poconé é uma das cidades históricas de Mato Grosso. A área do município é de 17.260,86 km² com 98% desse território no Pantanal.
Comarca de Primeira Entrância e sede da 4ª Zona Eleitoral Poconé tem 32.162 habitantes e sua taxa de crescimento populacional proporcional entre julho de 2008 e julho do ano passado foi de 0,32% (Mato Grosso cresceu 1,49% no período). Seu Produto Interno Bruto (PIB) é de R$ 205.404.000 e sua renda per capita de R$ 6.601 (a média mato-grossense é de R$ 14.954). O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,679 (O IDH de Mato Grosso é de 0,773).
O município de Poconé faz limites com Cáceres, Nossa Senhora do Livramento e Barão de Melgaço; faz divisa com Mato Grosso do Sul; e tem fronteira com a Bolívia no Baixo Pantanal
A economia de Poconé sempre teve na pecuária seu principal pilar, embora o ouro, em algumas épocas, ganhasse destaque. No Pantanal, grandes fazendas se dedicam à criação de gado bovino e o município tem um dos principais rebanhos de Mato Grosso, com 365.512 cabeças. Na imensidão da planície que se alaga, o homem pantaneiro se integra ao meio ambiente e na prática do dia-a-dia torna-se seu defensor contra ameaças externas.
Nos anos 1980 e 90 do século passado, com incentivos do Programa do Álcool, instalaram-se várias usinas de álcool e açúcar em Mato Grosso. Uma delas foi implantada em Poconé.
Vultos poconeanos
Em Poconé nasceu o engenheiro de Minas, Manoel Esperidião da Costa Marques, um dos principais redatores da Lei Áurea que aboliu a escravatura no Brasil.
Também, naquela cidade, nasceu o juiz de Direito em Cuiabá, poeta e escritor que chegou à vice-presidência da Academia Mato-grossense de Letras, Leopoldino Marques do Amaral, que foi assassinado e teve parte do corpo carbonizado no Paraguai, em 7 de setembro de 1999. A barbárie contra Leopoldino chocou Mato Grosso e suas razões e autoria ainda não foram suficientemente esclarecidas pelas autoridades.
O crime aconteceu no momento mais agudo das denúncias de venda de sentenças que o magistrado fazia contra praticamente todos os desembargadores do Tribunal de Justiça.
O poconeano José Vicente Dorilêo, o seo “Zelito”, tornou-se símbolo do pantaneiro que luta pela preservação do Pantanal. Fazendeiro, dirigente sindicalista, ecologista e com influência familiar e política, Zelito ocupava espaço na mídia nacional mostrando que o principal componente da região é o homem pantaneiro, sem o qual, o Pantanal Mato-grossense não tem razão de ser.
Zelito morreu em 13 de janeiro de 1999, aos 67 anos. Deixou um legado de luta e de exemplo em defesa do Pantanal. Seu trabalho teve reconhecimento oficial: a Assembléia Legislativa aprovou e o governador Dante de Oliveira sancionou um projeto transformado em lei de autoria do deputado Paulo Moura, que denominou a Rodovia MT-060, a Transpantaneira, no trecho de 142 km de Poconé a Porto Jofre, na divisa com Mato Grosso do Sul, de “Rodovia Tranpantaneira Zelito Dorilêo”. No pátio frontal do Sindicato Rural de Poconé, do qual foi presidente, Zelito ganhou um busto esculpido pelo artista plástico Mando Nunes, de Rondonópolis, cujo pedestal tem a seguinte inscrição “Deus levou para a eternidade a alma de Zelito Dorilêo, mas nos deixou a obra e a lenda do Homem-mito que era mais do que exemplo a ser seguido em defesa do Pantanal e da pecuária”- Homenagem, reconhecimento e sincera gratidão de seus familiares, amigos e admiradores.
Cavalo Pantaneiro
Poconé é sede da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Pantaneiro (ABCCP), entidade fundada em 29 de abril de 1972. O cavalo Pantaneiro é a raça mais indicada para o trabalho de campo no Pantanal. Trata-se de animal robusto e dócil. Tem casco resistente ao solo pantaneiro que se resseca no período da seca, e consegue “pescar” capim no fundo das águas, quando das cheias na região.
Terra da Cavalhada
Em Poconé a Cavalhada é parte viva do folclore e das tradições. Em junho, quando da Festa de São Benedito, dois grupos montados, com 12 cavaleiros cada, encenam batalhas medievais ao som do repique de tambores, como se fossem Mouros e Cristãos, com os primeiros guerreando pela recaptura de sua rainha que foi raptada pelos Cristãos.
Jogos substituíram os atos medievais de guerra. Competições hípicas onde são disputadas provas da carreira do limão, da argola, do Judas e outras, proporcionam um espetáculo de rara beleza da cultura mato-grossense.
Cada cavaleiro Mouro e Cristão tem um pajem na figura de um menino com uma lança para servi-lo. Cavaleiro e pajem se vestem com roupas coloridas e adornadas; e as montarias são enfeitadas com guizos e peitoris reluzentes.
Memória: a descoberta de ouro nas lavras Tanque do Padre, Lavra do Meio, Ana Vaz e outras, por volta de 1777, resultou na formação da vila de Beripoconé – a primeira denominação do lugar, em alusão aos índios de idêntico nome que viviam naquela área – que mais tarde seria Poconé.
O fluxo de garimpeiros foi tão grande que o povoado tornou-se arraial em 21 de janeiro de 1781, com o nome de São Pedro d’El Rey em homenagem ao rei de Portugal, Dom Pedro III. Naquela data, a Coroa Portuguesa reconheceu oficialmente a existência do aglomerado urbano e declarou sua fundação, com uma ata lavrada pelo mestre de campo Antônio José Pinto de Figueiredo, a mando do governador da Capitania, o capitão-general Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres.
Em 25 de outubro de 1831 criou-se o município e o arraial ganhou novo nome: Villa de Poconé – forma reduzida e simplificada da primeira denominação, Beripoconé –. Em 1º de junho de 1863, uma Lei Provincial conferiu ao município de Poconé o foro de cidade, que até então não tinha.
Fonte: Da Redação
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