Restaurantes à beira da Emanuel Pinheiro tem movimento reduzido e vários gastos para adequações, sem contrapartida
Geraldo Tavares/DC
Em alguns estabelecimentos nova pista passa praticamente na entrada do local. Empresários relatam adequações
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
A obra de duplicação da MT-251, a conhecida Rodovia Emanuel Pinheiro, tem trazido prejuízos aos donos de comércio que ficam à beira da pista que dá acesso a Chapada dos Guimarães. Além de o asfalto ter ficado muito perto da entrada dos estabelecimentos, a quantidade de clientes diminuiu muito nas últimas semanas.
Um dos locais afetados é o bar DNA da Cerveja, que viu o número de clientes ser reduzido por causa das obras. Além de a pista ter ficado muito perto do estabelecimento, pelo menos 15 árvores que ficavam ao redor do comércio foram cortadas.
“Vou ter que construir um muro na entrada para dar mais segurança aos clientes, porque o asfalto ficou muito perto das mesas dos clientes”, lamentou Lucivaldo Rodrigues Barbosa, responsável pelo estabelecimento.
Mas o comerciante terá mais prejuízo. “Vou ter que colocar toldos, construir uma rampa para cadeirantes, uma escada, usar um dos meus campos de futebol, que eu alugava, como estacionamento e outras despesas”, lamentou. “Só com os toldos, vou gastar quase R$ 2 mil”.
No bar ao lado, o Recanto Nordestino, o movimento também caiu bastante. “Fiquei com o comércio praticamente fechado durante 15 dias. Chegava de manhã e, como passava horas sem movimento, ia embora pra casa muito mais cedo do que de costume”, contou Marinete Rodrigues Nogueira, a dona do bar.
Ela afirmou que a poeira causada pela obra e a falta de lugar para estacionar fizeram com que os clientes deixassem de comparecer ao comércio. “Espero que essa obra termine logo, porque tenho minhas contas para pagar. Já tive prejuízo financeiro demais”, disse.
Já na Pamonharia Palhoça a preocupação só não é maior porque o comércio vai mudar de lugar. “Vamos para o outro lado da pista, onde também temos um bar e restaurante. Mas se não fosse por isso, não sei como seria”, disse Lídia Maria Pinheiro, filha do dono do estabelecimento, Hélio Batista Pinheiro.
Ela também confirmou que o movimento de clientes caiu por causa da obra de duplicação. “Só aqueles frequentadores mais fieis mesmo que continuaram a vir depois que começou a construção”, afirmou Lídia.
Nos três estabelecimentos, os responsáveis disseram que não foram procurados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, a responsável pela duplicação da rodovia Emanuel Pinheiro. Disseram também que não sabem se receberão algum tipo de indenização do governo do Estado por causa dos prejuízos causados pela obra.
O projeto ainda está na primeira etapa, que é a de duplicação de 17,2 quilômetros – do trevo do Distrito da Guia (MT-010) até o trevo que dá acesso à estrada de Manso (MT-351). A previsão é que esse trecho da obra fique pronto até novembro. Os outros dois compreendem áreas dentro do Parque de Chapada e uma extensão após ele.
A reportagem tentou entrar em contato com o superintendente de Obras Rodoviárias, Orlando Monteiro, e com o secretário-adjunto de Transporte, Ezequiel Lara, ambos da Sinfra, mas eles estavam com os celulares desligados.
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