Mulher que teve as mãos decepadas pelo marido ganha próteses e comemora ao pentear os cabelos

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Isabela Mercuri

“Dia 10 de abril faz três anos. Pra mim parece que foi ontem”. Essas foram as palavras de Geziane Buriola da Silva, que em 2017 sofreu violência doméstica e teve as duas mãos decepadas pelo marido. Nesta sexta-feira (7), sua vida mudou novamente, mas para melhor: após meses de ‘vaquinha’, ela foi buscar as próteses que vão lhe auxiliar a ter uma vida sem tantas limitações. O primeiro passou já foi dado: conseguiu pentear os cabelos sozinha. Agora, quer colocar e pintar as unhas e, depois, voltar a trabalhar para ajudar seus filhos.
Geziane morava em Campo Novo dos Parecis na época do crime, que aconteceu em 10 de abril de 2017. Hoje, ela não consegue trabalhar, e ganha somente um salário mínimo (R$ 998) do governo. Deste dinheiro, R$ 300 ela dá para ajudar no cuidado com seus dois filhos, de 13 e oito anos, que vivem com os avós, outra parte vai para o aluguel da casa onde mora. Ela ainda precisa pagar R$ 900 da parcela da casa onde vivia com o ex-marido – que está alugada, mas por um valor menor. Além disso, há as despesas com luz, água e alimentação.

Ela chegou a ganhar uma prótese de plástico logo após o crime, mas não era funcional, e logo quebrou. Sua história comoveu Jessica, do site ‘Razões para Acreditar’, que procurou Jucele Aranha, amiga de Geziane, e iniciou o projeto da vaquinha virtual. Em cerca de seis meses, elas conseguiram arrecadar R$114 mil. Destes, R$100 mil foram para as duas próteses, e R$14 mil para as despesas do site.


Jucele, amiga de Geziane (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Quem confeccionou as próteses foi o técnico Francisco de Assis, de São Paulo, que veio a Cuiabá somente para realizar este trabalho. Com as medidas de Geziane, ele fez as novas mãos com fibra de vidro e carbono. Segundo ele, as próteses possuem eletrodos na parte de dentro, que identificam o movimento que a pessoa quer fazer.

Francisco de Assis (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

As novas mãos de Geziane fazem o movimento de ‘pinça’. Segundo o fisiterapeuta Geneilson Gomes de Oliveira, que acompanha o processo, este será um novo momento de adaptação e, por isso, ela terá que se esforçar e continuar o tratamento.

“Como ela ficou muito tempo parada, houve muita atrofia dos músculos. Então tem que desenvolver novamente a musculatura”, explica. “Ela vai ter que manter uma sequência de exercícios todos os dias, de manhã e de tarde”. Neste primeiro momento, Geziane terá que continuar na capital por alguns dias. Depois, também vai vir com frequência para as sessões de fisioterapia.

Francisco e Geneilson ensinando Geziane a colocar a prótese (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

As próteses possuem uma luva cirúrgica nas mãos, que as deixam com o mesmo tom de pele de Geziane. Além disso, nos braços estão desenhos. “Antigamente as pessoas faziam questão de esconder a prótese. Tanto que tem a luva estética. Hoje em dia eles fazem questão de colorir, de customizar, para mostrar mesmo que é uma prótese”, explica o fisioterapeuta.

As próteses de modelo Myofacil, da marca Ottobock, funcionam a bateria e são recarregáveis. Elas podem ser utilizadas para qualquer serviço doméstico e funcionalidades como escovar os dentes, lavar a louça e pentear os cabelos. Só é necessário tirá-las para tomar banho. A pressão ao fechar as mãos é de até 5kg.

O crime

Geziane  foi atacada pelo marido na noite do dia 10 de abril de 2017, no bairro Jardim das Palmeiras, em Campo Novo do Parecis (444 km de Cuiabá), e teve as duas mãos amputadas por conta das lesões. Segundo as informações, o agressor pegou um facão e golpeou a esposa diversas vezes. A vítima foi atingida na cabeça e braços.
A mulher sofreu laceração em ambos os braços, inclusive perdendo dedos das mãos. Devido a gravidade das lesões, as duas mãos da vítima tiveram de ser amputadas. A cabeça da vítima também foi atingida pelo marido e tem várias lesões profundas, causadas pelo facão.

O ex-marido foi preso em flagrante e segue até hoje. Geziane mudou de cidade e prefere não falar onde está, já que continua com medo de que ele volte a atacá-la.

Ajuda

Como precisa voltar a Cuiabá com frequência para seguir no tratamento, ela pede que, quem puder, continue ajudando com qualquer valor:

Telefone: (65) 98161-3353; Conta da Caixa Econômica Federal, Agência 3439, Operação 013, Conta Poupança 000.000.027.141-9.

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