Você sabe o que é sororidade? Buscas pela palavra aumentaram 250% após citação no BBB

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Isabela Mercuri Foto: Reprodução / TV Globo

Manu Gavassi disse o termo e fez as buscas aumentarem

No último domingo (9), a cantora Manu Gavassi, uma das participantes da 20ª edição do reality show Big Brother Brasil, deu uma resposta ‘ácida’ ao indicar Felipe Prior para o paredão. Ela disse que era uma ‘questão de sororidade’, e que ele poderia aprender o significado da palavra quando saísse da casa. Quem estava do lado de cá da telinha não perdeu tempo, e, segundo o Google, as buscas pelo termo aumentaram 250% em duas horas. Mas, afinal, o que é sororidade?
Sororidade é, basicamente, a ideia da relação de união, irmandade, afeto e amizade entre mulheres. O termo é usado pelos movimentos feministas como contrário à ideia de que as mulheres vivem em constante rivalidade, como explica a professora de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso e estudiosa de gênero Tamires Ferrera Coêlho:

“Nos últimos 20, 30 anos tem se refletido muito sobre o impacto de determinados comportamentos sociais que visam o isolamento da mulher na sociedade, dificultando que elas se juntem associativamente. E aí, dentro dessa perspectiva, se começou a trabalhar o conceito de sororidade justamente como um questionamento a essa ideia da disputa feminina, da rivalidade, como algo que foi criado culturalmente, socialmente, para isolar as mulheres e não permitir que elas se organizem para exigir seus direitos”, explica.

Apesar de o termo ser relativamente novo, a ideia de sororidade já existe há muito tempo. Segundo Tamires, algumas pesquisas mostram que as relações de ajuda mútua entre mulheres são comuns principalmente em povos tradicionais, como indígenas e africanos. “Embora o conceito em si não se chame sororidade, muitas vezes – às vezes se chama, mas às vezes não – a ideia de sororidade está muito presente nessas matrizes. De ajuda, de solidariedade, de não individualizar o problema, não trazer para a esfera do indivíduo, mas pensar em um problema como coletivo”.

Feminismo e o BBB

O que Manu Gavassi quis dizer, então, é que estava votando em Prior em solidariedade, ou mesmo ajuda, a outras mulheres da casa. Esta fala, no entanto, não foi isolada. Tamires, que é doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fez estágio doutoral na Sorbonne, e é mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) garante que a discussão sobre gênero é uma marca desta edição do Big Brother Brasil.

“Essa diversidade dos participantes, esses perfis, tem sido reflexo de uma série de diagnósticos das bolhas em que a gente vive, das divergências de pensamentos, e dos posicionamentos – porque afinal de contas a gente está numa sociedade cada vez mais polarizada, então os pensamentos e posicionamentos tem sido cada vez mais explícitos”, explica. “Mas acho também que ao acontecer isso dentro de um programa como o Big Brother, em que os holofotes estão todos voltados praquelas discussões, (…) o que é discutido ali dentro tem uma potência de aflorar e de aprofundar essas discussões fora dali”.

O caso da ‘sororidade’ é apenas um dos exemplos desse aprofundamento que as pessoas buscaram após o programa. Para a professora, esta é até uma forma de chegar a muito mais gente. “Embora a gente saiba que tem muita coisa ali que é dirigida, produzida, editada, inclusive, e a construção da narrativa passa muito pela edição das falas, existe esse imaginário de que o que está acontecendo ali é real”, afirma. “E eu acho que a gente tem um ganho muito grande ao se trazer esses debates que não são provocados necessariamente por uma instância acadêmica. Não é o feminismo da academia, não é o feminismo do movimento social. Porque eles circulam em alguns espaços, mas tem muita resistência em outros. Então ter esse debate ali, na TV aberta, traz uma dimensão também de difusão desse tipo de debate para outros espaços”.

Desta forma, o contrário também acontece: além de o BBB provocar discussões no público, também faz com que a academia passe a refletir. “Eu particularmente acredito que faz com que os movimentos sociais, de uma forma geral, e os movimentos feministas comecem a olhar pra esses programas não como algo inferior, menor, mas como um espaço onde estes debates podem ser instaurados”, finaliza.

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