Em Vila Bela, ruínas da Igreja Matriz viram “poleiro” de pombos

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Pombos invadiram a cobertura instalada para proteção das ruínas. Prefeitura e governo do Estado não sabem o que fazer

Turistas e moradores se preocupam com o pouco que resta do patrimônio histórico (Acervo Governo de MT)

Marco histórico da expansão colonial portuguesa, as ruínas da Matriz de Vila Bela da Santíssima Trindade (a 562 km de Cuiabá) são muito visitadas por turistas. Mas, atualmente, o bem tombado como patrimônio histórico em Mato Grosso ganhou “visitantes indesejados”. Isso tem preocupado os moradores da cidade.

A professora Kissila Priscila Campos, há um ano na cidade, se manifestou via redes sociais sobre eventuais danos ao patrimônio por conta da infestação de pombos.

“Me preocupo, pois, talvez esta seja a última geração a contemplar esse monumento tão importante para Vila Bela”, alerta, temendo pela estrutura das ruínas.

Ela avalia que a situação possa comprometer também, a saúde dos moradores.

“A cobertura que colocaram, com sombra, atrai os pombos, que permanecem por ali. É grande a quantidade de fezes nas ruínas e no chão. Isso não deve fazer bem para a saúde de quem circula pelo espaço, não é mesmo?”.

Os pombos transmitem diversos tipos de doenças, como a meningite, causada pelo fungo Cryptococcus, presente nas fezes. Uma vez secas, elas se transformam em um pó que, ao ser inalado, causa uma série de sintomas como febre, vômito, enjoos, confusão mental e que pode até mesmo comprometer a visão e o movimento corporal.

O lugar, além de ser frequentado por turistas é cenário de aulas de campo: Kissila frequentemente leva os alunos até lá

“Mãos atadas”

Prefeito de Vila Bela, Wagner Vicente (PV) disse ao LIVRE que tem conhecimento da situação, mas que está de mãos atadas.

“Sabemos dos riscos, que os pombos transmitem doenças aos seres humanos, porém, não podemos fazer nada. Eu gostaria, inclusive, que alguém nos orientasse sobre como proceder”.

Já o coordenador do Patrimônio, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, Robinson Carvalho, diz que o governo realiza visitas técnicas semestrais, pois à Pasta cabe a fiscalização do bem tombado. E que, desde 2014, a prefeitura que é responsável pela manutenção e tem sido notificada.

Outra moradora da cidade, Leandra da Silva Souza pontua que a antiga cobertura das ruínas, translúcidas em policarbonato, repelia os animais. Bastou a nova, com telhas que produzem sombra, para que eles se sentissem à vontade e ocupassem a área.

Cobertura translúcida foi instalada em 2006 (Arquivo Governo de MT)

Robinson explica que a estrutura com a telha transparente, por onde o sol irradiava, não suporta o calor e, portanto, não é viável.

“Seriam necessárias muitas reposições e o custo seria alto”, disse.

Segundo ele, as placas ressecam e os parafusos não são capazes de contê-las. Rapidamente, se desprendem.

“A cobertura foi colocada para proteger as ruínas da chuva, pois, como se trata de material orgânico – a estrutura é composta por barro – pode se dissolver com a água. Só a cobertura pode garantir que as ruínas estejam protegidas”.

Sem solução

Ao que parece, tanto a Secretaria de Estado de Cultura quanto a Prefeitura de Vila Bela, não têm solução para o problema da infestação de pombos.

“Ali eles têm sombra e, no entorno, água e comida. Não vão sair. Mas eles não têm poder de danificar as ruínas. É mais um problema de ordem sanitária, pois as fezes deixam o local sujo e com mal cheiro”.

O produtor cultural e cineasta, Luiz Marchetti, no fim de semana passado, foi a trabalho para Vila Bela e aproveitou para visitar as ruínas.

“Me surpreendeu a quantidade de pombos no local. O chão e paredes estão tomadas por fezes. Mudou o cenário”, ele criticou.

Em visita às ruínas, Marchetti registrou a presença dos pombos e também, a situação do chão, repleto de fezes dos animais

Na promotoria de Vila Bela, não há qualquer procedimento em curso, pois não houve, até o momento, denúncia formal sobre o assunto.

História

Vila Bela foi fundada em 17 de março de 1752, para a fixação de um núcleo urbano na fronteira ocidental e permaneceu como Capital de Mato Grosso até 1820, quando esta foi transferida para Cuiabá.

Em 1752, o governador Rolim de Moura e comitiva chegaram ao povoado e, em 1771, foi iniciada a construção da Matriz da Santíssima Trindade. Tem-se notícias que, em 1775, houve uma primeira reconstrução face a desmoronamento anterior, seguida de outra em 1793.

No início do século XX, quando o Gal. Rondon passou pela região, a Matriz ainda estava de pé, assim como o Palácio dos Generais localizados, ambos, em uma grande praça no centro de Vila Bela.

Pouco a pouco, ambos os edifícios foram se deteriorando e a Matriz ganhou o aspecto de ruínas, com seus espessos muros de taipa de pilão sendo destruídos pelas intempéries.

As ruínas da Igreja Matriz da Santíssima Trindade constituem um marco histórico da expansão colonial portuguesa. Mostram paredes em adobes de extraordinária espessura e alicerces com embasamento de cantaria em pedra canga.

Não chegou a ser concluída

A matriz nunca chegou a ser concluída, provavelmente, por ter sua construção iniciada no período da decadência de Vila Bela. Fotos de 1905, de uma das expedições do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, atestam o fato.

Rondon alcançou a Matriz ainda de pé e assim a descreveu: ”A Igreja Matriz da Santíssima Trindade é um edifício muito alto ainda não concluído, faltando o frontispício e as duas torres, cuja construção fora apenas iniciada. O seu fundamento é de pedra canga, o pedestal e parte das paredes na altura deste são de cantaria da mesma pedra. Só a parte superior das paredes é de adobes (tijolos crus) sendo estes da largura de 1,50 m”.

(Acervo/Iphan)
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