CULTURA POPULAR Dono da Distribuidora do Cecílio relembra o auge do lambadão em VG

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Thalyta Amaral thalyta@gazetadigital.com.br

Chico Ferreira

Cecílio e Filha Gisa Barros

Quando o lambadão surgiu, no começo da década de 1990, Cecílio Amorim de Barros, 60, tinha um radinho no qual gostava de ouvir os sucessos de bandas como a Scort Som. Incentivado pela musicalidade da família – o pai era cururueiro – começou a organizar festas de lambadão. Dono da Distribuidora do Cecílio, o empresário é uma das figuras marcantes do lambadão de Várzea Grande.

Música das periferias, o ritmo surgiu da mistura da lambada paraense com o rasqueado. Com guitarra e teclado marcantes, o lambadão conquistou a Baixada Cuiabana e o coração daqueles que até hoje lutam para manter a cultura viva – mesmo com o preconceito que ainda enfrentam.

“As pessoas acham que festa de lambadão vai ter briga, droga, que a dança é sensualizada. Mas o funk é muito mais e é aceito. Até hoje tem preconceito”, afirma Cecílio.

Foi no fim de 1995 que ele decidiu levar a música tipicamente mato-grossense para as festas populares, por perceber a falta de festas para animar o povo. Nessa jornada, teve prejuízos, passou por problemas, se reergueu e sustentou a família.

“De início ralamos muito, arrumei a distribuidora e foi através dela que fui capaz de me manter. Hoje consigo fazer festa até no meio da rua, por causa desse tempo que me preparei. O que eu tenho na vida, devo ao lambadão”, conta o empresário.

Chico Ferreira

Lambadão

Cecílio e a filha Gisa

A paixão pelo lambadão é herança de família, que foi passada para as duas filhas. Uma delas é a promotora de festas e atualmente vereadora, Gisa Barros, 36. Ela organizou sua primeira festa aos 15 anos e nunca mais parou. “Comecei com uma festa pequena, aos poucos. Mas já era apaixonada por povo, por lambadão. Toda a família trabalhava nas festas. Éramos eu e a minha irmã no caixa”.

Uma das estratégias utilizadas por Cecílio – e que fazem parte do sucesso de suas festas – é a cerveja barata. “Gosto de ver o povão feliz, animado. Ganho pouco, mas fico satisfeito em ver a casa cheia”.

Arquivo Pessoal

DVD Amigos Banda Show

DVD Amigos Banda Show

No seu currículo está a gravação do primeiro DVD de lambadão de Mato Grosso, di grupo Amigos Banda Show, em 2006, que reuniu quase 5 mil pessoas na Cabana da Dudu. Ele usou recursos do próprio bolso para pagar pela estrutura e divulgar o lambadão.

“Nenhum banda de lambadão de Mato Grosso tinha DVD. Foi um evento que fez história, uma estrutura como essa não teve mais. Chegamos a fechar a portaria porque não cabia mais gente”, lembra Cecílio.

Aos 60 anos, ele não pensa em parar. O amor pelo lambadão falou mais forte e ele agora constrói um pequeno espaço de festas nos fundos da distribuidora. “Eu tinha parado, mas o lambadão está no meu sangue. Ainda estou aguentando trabalhar e vou fazendo uma festa por mês”.

Essa paixão é confirmada pela filha, que confirma ser praticamente impossível fazer com o que pai descanse, mesmo quando é necessário.

“Papai operou de uma hérnia e tinha que ficar de repouso de 30 a 40 dias. Em 15 dias estava na festa de novo. Todos os promotores das festas de lambadão de Várzea Grande aprenderam com ele. Já fizemos grandes eventos e é a paixão da família”, conta Gisa.

Arquivo Pessoal

Lambadão

Em mais de duas décadas de trabalho para não deixar o lambadão “morrer”, a família se orgulha de ter gerado empregos e ajudado outras famílias a garantir o sustento. “Geramos renda, pagamos impostos. Tem o pessoal que trabalha no bar, os seguranças, as bandas, as pessoas que cuidam do estacionamento, quem faz a propaganda… O quanto isso não gera para a economia local?”

Para o futuro, Cecílio sonha com mais festas e muita diversão para os amantes do lambadão. “Gosto de ver a casa cheia, o povo se divertindo. A gente gosta de ficar no meio do povo e é isso que quero continuar fazendo”.

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