De Poxoréu para o Flamengo, conheça a história de Michael

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EDUARDA FERNANDES
Gazeta Digital

Eleito a revelação do último Campeonato Brasileiro de 2019 e uma das apostas do Flamengo em 2020, o atacante Michael Richard Delgado de Oliveira, 24, é, sem sombra de dúvidas, o grande orgulho da família.

Nascido em Poxoréu (251 km a Sul de Cuiabá), o menino era bastante conhecido pelas traquinagens. Mestre em criar artimanhas para cabular aulas e ir jogar bola, ele passou por todas as escolas do município antes de partir em busca de seu sonho. Passou também por maus bocados antes de ver brilhar sobre si o holofote da fama.

O  conversou sobre a trajetória de Michael com seu pai, Manuel Messias de Oliveira, ou seo Messias, como é conhecido pelos mais próximos, e com sua madrasta Mirian Alves de Castro. Ambos têm 58 anos e ainda moram no interior de Mato Grosso. O pai é professor de informática e já deu entrada no processo de aposentadoria. A madrasta trabalhava há 12 anos no Conselho Tutelar, mas deixou o emprego a pedido de Michael. “Ele falou que agora não quer que a gente trabalhe mais”, comenta Mirian. Ambos têm 58 anos.

O ano começou de forma espetacular para o ex-atacante do Goiás Esporte Clube. Cria dos campos de várzea mato-grossenses e goianos, Michael foi vendido ao Flamengo pela bagatela de R$ 34,5 milhões. Assinou contrato com o Rubro-Negro até dezembro de 2024. De baixa estatura e veloz, foi apelidado pelos colegas de Robozinho. “Era tão franzino que a bermuda quase cobria a canela. Ele era muito pequenininho, mas jogava muito. Era muito ágil”, lembra a madrasta.

Michael começou a jogar bola com 7 anos no Centro Juvenil de Poxoréu, onde o pai trabalhava o levava, juntamente com os irmãos. Michael é o mais velho de quatro irmãos. São dois homens e uma mulher. “Ele estudava, mas era empurrado, não gostava muito não”, conta Mirian.

Para fugir das aulas valia de tudo, inclusive fingir que estava passando mal. “Um dia me ligaram falando que o Michael estava passando mal e eu fui buscá-lo. Quando chegamos no portão ele parou de chorar”.

Hoje, o pai vê que a paixão de Michael pelo futebol realmente não era coisa passageira. “Nunca imaginei que chegaria onde está hoje. Ele fugia da escola para jogar bola. Em Poxoréu, estudou em todas as escolas por conta da indisciplina, tudo por conta de bola. Ele ficava atrapalhando a aula para a professora mandar ele para fora, porque a vida dele era lá fora, não era lá dentro”, completa o pai.

Seo Manoel diz que Michael era quem protegia os irmãos na infância e esse cuidado perdura até hoje. “Ele foi um menino muito obediente. Se eu falasse para ele não sair, ele quebrava tudo dentro de casa, mas não saía. Ele é muito obediente. Tem uma responsabilidade enorme. Sempre cuidava dos irmãos”.

Reviravolta

O atacante tinha por volta de 14 anos quando se envolveu com o mundo das drogas. Usou cocaína e maconha, vendeu entorpecentes e foi alvo de seis tentativas de assassinato. As traquinagens da infância agora davam lugar a constantes preocupações.

Foi nessa época que Mirian passou a integrar a família. O pai acredita que a liberdade que deu ao filho quando casou-se pela segunda vez pode ter facilitado o acesso de Michael às drogas. “Os próprios primos dele falaram uma vez: ‘olha, ele está na boca de fumo’. Aí eu corri atrás e ele pulou até um telhado para eu não ver ele. Ele tinha muito medo”, lembra seo Messias.

Mesmo envolvido com drogas, continuava sendo um bom filho e ajudava Mirian nas atividades domésticas. “Eu tive câncer e ele me ajudava a lavar louça, a cuidar da casa. É o que mais me ajudava. Toda vida foi um bom filho, apaixonado pelo pai, tanto que ele tem tatuado no braço bem grande o nome do pai dele”.

Passado alguns anos, mas ainda na adolescência, surgiu o convite de jogar no Goianésia. Michael dava muito trabalho para a família e esse fator influenciou os pais a empurrá-lo para fora do ninho. Em Goiânia, foi morar na casa das tias, mas o envolvimento com drogas continuou.

Aos pais ele fala que sua vida mudou aos 19 anos quando se converteu ao cristianismo. “Ele conta pra gente que ele ajoelhou no quarto e disse: ‘se você existe, abra uma porta para mim’. Porque ele já estava desistindo de tudo. Quando ele foi para o Goianésia, participou do campeonato, fez 3 gols e foi para o Fantástico. No Goianésia ele foi revelação, jogava muito bem. Foi onde o Goiás ficou de olho nele. Daí que surgiu a proposta para ele ir”, detalha o pai.

A madrasta conta que Michael não recebia para jogar no Goianésia. Jogava por amor ao que fazia. “Ele só pediu para jogar. ‘Vocês me dando comida e lugar para treinar, eu não quero salário'”, cita o que ouviu do enteado. Nessa época, o jogador sobrevivia com ajuda da família e das “peladas” apostadas que jogava nos campos de várzea. “Foi lá no terrão que ele foi reconhecido, alguém viu ele jogar”, diz Mirian.

Guinada

Sobre a contratação pelo Flamengo, seo Manoel diz que até hoje a ficha não caiu. Por enquanto, pai e madrasta não pensam em se mudar para o Rio de Janeiro devido a um tratamento de saúde que Mirian está enfrentando. “Hoje, pra gente, é nosso orgulho. Ver essa mudança dele, essa transição. Foi muito bacana para nós ver ele se libertar disso, de tudo, ter uma nova vida. E o tanto que ele hoje nos ajuda, ajuda a avó, tios, todos. Até o pai dele ele não quer que trabalhe fora. Ele brinca falando ‘oh, careca, não quero que você trabalhe mais não porque já ralou muito para cuidar de nós”, relata Mirian emocionada.

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