VICENTE VUOLO – VLT X ônibus poluente

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Não dá para viver em função só do que vai acontecer lá na frente e não lidar com o hoje

O mundo está diferente, as rotinas foram mudadas, outros hábitos adquiridos e alguns planos suspensos ou abandonados. A mobilidade urbana ganhou mais importância. O transporte limpo, confortável, saudável, ecologicamente correto tornou-se prioridade.

A pandemia que exigiu o isolamento social transformou as nossas vidas, mas abriu novas possibilidades e realização de alguns sonhos. Um deles é a conclusão imediata das obras do VLT Cuiabá – Várzea Grande. Isso é pensar no futuro de forma positiva. Faz com que a gente desenvolva a resiliência, que é a capacidade de lidar com o inesperado e se reinventar.

A falta de uma tomada de decisão é paralisante. Não dá para viver em função só do que vai acontecer lá na frente e não lidar com o hoje. Pensar no futuro é agir no agora.

É possível verificar ônibus superlotados em todos os horários. Mesmo protegendo com máscara, álcool gel, não melhorou, só piorou. Aglomerou mais gente. Os motoristas tentam a todo custo orientar os passageiros a não entrarem quando os ônibus estivessem cheios, mas é inútil, tendo em vista que os ônibus são pequenos para atender a demanda cada vez mais crescente.  O desespero de quem precisa trabalhar é encarar o desafio, que as vezes pode ser fatal.

Falta de uma tomada de decisão é paralisante. Não dá para viver em função só do que vai acontecer lá na frente e não lidar com o hoje

Pesquisadores apontam que a redução da frota de ônibus em grandes cidades, como Cuiabá e Várzea Grande, que somadas chegam a 1 milhão de habitantes, tende a criar mais aglomerações e lotações, expondo pobres, negros e periféricos a maior risco de contágio.

De acordo com o brilhante engenheiro civil José Picolli Neto, o VLT de Cuiabá é um veículo equipado com 7 módulos que podem transportar 400 passageiros por viagem.

Segundo Picolli, “cada 1 VLT equivale a 10 ônibus, 480 carros e dependendo do fluxo pode transportar 600 pessoas. Pois como o VLT tem um headway (tempo de saída de um trem e a chegada de outro no mesmo sentido) de 3 minutos na linha Centro – CPA, Centro – Coxipó, o que dificilmente haverá passageiros amontoados”.

O engenheiro Picolli, um dos mais renomados engenheiros ferroviários do país, completou: “O VLT tem 7 portas bem largas, o fluxo de entrada e saída é muito mais fácil que no ônibus que só tem uma ou no BRT que tem apenas 3 estreitas”.

O VLT tem conseguido grande visibilidade como instrumento de política de mobilidade porque responde a uma nova lógica de desenvolvimento urbano, planejamento de transportes e preocupações ambientais. Em 2015, já eram 2.300 linhas em todo o mundo, que operavam em 388 cidades, transportando mais de 13,6 bilhões de passageiros por ano.

Por tudo isso, que o comércio, os lojistas, o trade turístico, urbanistas, engenheiros de todo o mundo tem adotado o VLT não apenas como um modo de transporte, mas também como uma ferramenta para promover e renovar a cidade.

O VLT pode ser construído e ampliado sem alterar o urbanismo das cidades já consolidadas, até mesmo passar por dentro de uma praça ou parque preservando o patrimônio histórico. Pode se integrar com outros meios de transporte facilmente e, o mais importante de tudo, não polui o ar e nem degrada o meio ambiente.

E isso não é pouco importante. A ecologia e o meio ambiente são fundamentais nos nossos dias. São questões determinantes para nosso futuro comum. Poucos meses antes do lançamento oficial da encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco (2015) sobre o cuidado com a casa comum, surgia o Movimento Católico Global pelo Clima (GCCM) com o intuito de ajudar a igreja colocar em prática a sua missão de cuidado com a criação.

Entre dezenas de iniciativas importantes pelo mundo, o GCCM também é responsável pelo Programa Católico de Desinvestimento, por meio do qual instituições católicas se comprometem a desinvestir em combustíveis fósseis boicotando empresas dessa área de produção.

O impacto deste programa é impressionante, reunindo até agora o maior grupo de desinvestimento em combustíveis fósseis no mundo (mais de 350 instituições católicas de 1.400 instituições no total mundial), totalizando U$ 1 trilhão desinvestido em 2019.

O futuro requer a troca dos ônibus poluentes que queimam combustível fóssil pelo VLT.

Vicente Vuolo é economista, cientista político.

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