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sexta-feira, 14 de agosto de 2020, 22:30
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Família de Poconeano denuncia troca de corpos de vítimas de Covid-19

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Não bastasse a dor da perda de um ente querido, a família de Erasmo Benedito da Silva, 46, sofre por não poder enterrá-lo. O homem morreu de covid-19, na manhã de terça-feira (28), e o corpo foi trocado pelo de outro paciente que também estava internado no Hospital Estadual Santa Casa de Misericórdia, em Cuiabá.

A nora da vítima, Jucielle Patrícia de Arruda, contou a situação enfrentada pela família, que não pode sequer enterrar o parente, já que velórios estão restritos por conta das medidas de combate à pandemia.

Segundo ela, Erasmo tem a família em Poconé (104 km ao Sul da Capital) e se mudou para Várzea Grande para poder realizar hemodiálise. No entanto, ele ficou doente e foi diagnosticado com covid-19. Os últimos 11 dias passou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa. Além de problema nos ruins, o homem também era diabético, o que agravou a covid e ele não resistiu.

“Um pastor e outro parente estava lá quando falaram que ele morreu. O pessoal do hospital mandou que saíssem, que iriam preparar o corpo para que a funerária buscasse. A funerária foi à tarde, mas disseram que só iram entregar o corpo mediante reconhecimento da família. Quando um primo foi lá, havia 10 corpos à espera de enterro, mas nenhum era meu sogro. Depois falaram que outra funerária havia pego um homem parente de outra família”, contou a nora.

Desde então a família de Erasmo está na saga para encontrar o corpo para poder enterrá-lo. No hospital, os parentes foram orientados a buscar decisão judicial para que pudessem exumar o corpo enterrado pela outra família.

Após o primeiro contato, a nora informou que na manhã desta quarta-feira (29), familiares foram novamente ao hospital para saber como proceder para identificar onde está Erasmo. Lá descobriram que ele foi enterrado por outra família e que o parente deles, também morto por covid, ainda está no necrotério.

“Eles não querem deixar exumar enquanto não resolverem a situação do familiar deles. Não querem mexer. Enquanto isso a cova está aberta no cemitério de Poconé e a gente espera poder enterrar meu sofro”, explicou Jucielle Patrícia.

Situação semelhante ocorreu em Cáceres (223 km a Noroeste), quando dois corpos foram trocados no Hospital São Luiz, em maio. O cadáver precisou ser exumado.

Outro lado

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) foi procurada e não encaminhou resposta.

Poconet

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