EM MATO GROSSO; Segmento vê esperança em ferrovia após redução de 87% na demanda por etanol

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    Da Assessoria RDNews

    Divulgação

    “Devemos avançar na logística Arco Norte/Nordeste (portos) para podermos abastecer este mercado doméstico que pouco consome, hoje, etanol.” A afirmação do presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, feita nesta quinta (30) durante o webinário “Logística Integrada”, incentiva a conversão das atenções do mercado de energia renovável às duas regiões do Brasil que podem vivenciar uma nova realidade em combustíveis – desde que a logística de transportes viabilize o atendimento a elas. Promovido pelo LIDE Grupo de Líderes Empresariais de Mato Grosso, Santos e do Paraná, o evento on-line tem sido dedicado a debater gargalos do segmento, buscando soluções viáveis em curto e médio prazos.

    Fortemente impactado pela pandemia, o setor de combustíveis vislumbra uma retomada econômica progressiva nos próximos meses. No caso do etanol mato-grossense, a queda na demanda registrada entre janeiro de junho de 2020, conforme a Unem, é de 87%.

    “Cremos que 2021 iniciará com o mesmo status, positivo, registrado no começo de janeiro de 2020, quadro este alterado por conta da Covid-19”, observou Nolasco, pontuando que, no caso do milho, o déficit gerado pela redução na comercialização do etanol teve por compensação a venda do DDG, farelo proteico utilizado na alimentação do gado.

    No que se refere ao cenário logístico de Mato Grosso, duas ações positivas sinalizam para o necessário, esperado e fundamental avanço: o protocolo junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), do projeto de concessão da Ferrogrão – que ligará Sinop (MT) à Miritituba (PA) e o anúncio da construção Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) , entre os municípios de Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT), à cargo da Vale como contrapartida à renovação antecipada de suas concessões de ferrovias. As duas iniciativas resultarão em condições de entregar o etanol de milho e cana a novos mercados, tanto domésticos quanto externos, condição fundamental à viabilidade econômica do biocombustível.

    Reprodução

    ferrovia

    Entusiasta do etanol e do cooperativismo, o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Miguel Tranin, compartilhou, no evento on-line, conhecimento e vivências sobre energia limpa, destacando a importância da Renova Bio, Política Nacional de Biocombustíveis, instituída pela Lei nº 13.576/2017. “Temos o maior programa mundial de reconhecimento e validação das energias renováveis”, declarou, enfatizando, ainda, a importância de haver uma política tributária que estimule o consumo de etanol nos estados produtores, onde a atividade gera emprego e renda.

    Fazendo referência ao ambiente logístico, fundamental à sustentabilidade financeira do setor produtivo, Tranin falou sobre a necessidade do Brasil priorizar na multimodalidade de transportes, lembrando que o investimento, por anos a fio, somente no modal rodoviário, fez com que, atualmente, o país tenha cinco caminhões para cada três cargas, gerado um imenso parque ocioso.

    Otimistas com as possibilidades de mercado do etanol, que pode agregar ainda mais valor à cadeia sendo produzido a partir do milho também na entressafra da cana, Nolasco e Tranin foram unânimes em avaliar que a expansão dos negócios depende da maior divulgação da qualidade do etanol brasileiro, bem como das conquistas em sustentabilidade ambiental que este ícone da energia limpa e renovável representa.

    Logística integrada

    Promovido pelo LIDE Mato Grosso, LIDE Santos e LIDE Paraná, o projeto “Logística Integrada – Debates e Soluções” terá como ponto alto a realização de um fórum, previsto para o mês de agosto, do qual sairá a Carta da Logística. O documento, contendo diagnóstico do segmento logístico na pandemia e propostas de soluções em curto e médio prazos, será encaminhado aos Estados e União.

    Para assistir aos episódios da websérie que compõe o projeto, basta acessar o site do LIDE Paraná. Os programas são apresentados por Heloísa Garret, presidente do Lide Paraná, tendo a participação de presidente do LIDE Mato Grosso, Evandro Santos, e do presidente do LIDE Santos, Jarbas Vieira Marques.

    A websérie que antecede o Fórum Logística Integrada já tratou de temas como armazenagem, portos e ferrovias, tendo contado, em um de seus episódios, com a participação do Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas.

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