Ex-deputada de MT fez oração para não depender do “dinheiro da política”; veja documento

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PF apreendeu documento escrito a mão na casa de Luciane Bezerra

DIEGO FREDERICI
Da Redação

A ex-deputada estadual de Mato Grosso, Luciane Bezerra, recorreu às forças divinas para alavancar seus negócios no mundo terreno – e não precisar mais do “dinheiro da política”. Ela foi uma das ex-parlamentares gravadas por Silvio Corrêa, ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, recebendo R$ 50 mil em dinheiro vivo de uma suposta propina em dezembro de do ano de 2013.

De acordo com uma denúncia assinada pelos procuradores da república Vanessa Zago Ribeiro Scarmagnani e Vinícius Alexandre Fortes de Barros, no último dia 8 de setembro, Luciane mantinha em seu poder uma folha de papel com algumas metas estabelecidas para 2017. O documento foi apreendido num mandado de busca e apreensão sofrido pela ex-deputada estadual cumpridos pela Polícia Federal. “Que este ano destrave, desenrole e libere nossos negócios e projetos financeiros para que possamos pagar nossas dívidas e recomeçar com a nossa vida financeira com muita segurança e prosperidade”, começa o documento.

A folha de papel escrita a mão também traz uma série de objetivos – a sua maioria, resolução de conflitos judiciais -,  e contém ainda um trecho com a descrição de algumas dívidas suas e de sua família. De acordo com as anotações, Luciane Bezerra somava, até o ano de 2017, cerca de R$ 5 milhões em débitos.

No verso da folha, ao final, Luciane Bezerra faz uma “prece” pedindo sucesso financeiro. A singela súplica da ex-parlamentar pode ser interpretada como uma espécie de “confissão”, ou “arrependimento”, por ter embolsado recursos públicos com propina durante seu mandato como deputada estadual (2011-2015).

“Quitar todas as dívidas e ter renda própria dos nossos negócios e não depender mais de dinheiro de política”, rogou Luciane Bezerra no papel. Vale lembrar que a ex-parlamentar foi eleita prefeita de Juara (696 KM de Cuiabá) no ano de 2016 e cassada menos de dois anos depois, em julho de 2018, por fraudes em licitações.

DENÚNCIA

O MPF ofereceu uma denúncia contra Silval da Cunha Barbosa Barbosa, Sílvio Cezar Corrêa Araújo, José Joaquim de Sousa Filho (Baiano Filho), Luiz Marinho de Souza Botelho, Emanuel Pinheiro, Luciane Borba Azoia Bezerra, Alexandre Luis Cesar, Gilmar Donizete Fabris, Carlos Antônio de Azambuja, Ezequiel Angelo Fonseca, Jose Domingos Fraga Filho e Airton Rondina Luiz (Airton Português).

Com o objetivo de obter apoio não só de parlamentares, mas também de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para a sua gestão, Silval Barbosa teria se “aproveitado” da circulação de recursos públicos em Mato Grosso em razão da Copa do Mundo Fifa 2014. Cuiabá sediou 4 jogos no torneio.

Na época, cerca de R$ 1 bilhão foi destinado ao Estado por meio do BNDES, da Caixa Econômica e Infraero. Outros R$ 1,5 bilhão foram utilizados para atender ao MT Integrado – um programa da gestão Silval que previa o asfaltamento de 2 mil quilômetros de rodovias.

“Nesse contexto de grande circulação de recurso público, um grupo de deputados do Legislativo Mato-Grossense arquitetou um esquema de recebimento de propina em troca de ‘apoio’ ao Poder Executivo nos projetos de lei de seu interesse, bem como colaborar na aprovação das contas do Governo, uma prática que seria cotidiana no relacionamento entre os Poderes. Tal prática, conhecida como ‘Mensalinho’, adotado desde tempos remotos na ALMT, teria permanecido até o final do ano 2014”, diz trecho da denúncia.

Silval Barbosa e Sílvio Corrêa viabilizaram os pagamentos de R$ 60 mil por mês aos parlamentares e ex-parlamentares. Eles foram denunciados por corrupção ativa e organização criminosa. Já o restante dos denunciados foram enquadrados por corrupção passiva e organização criminosa. O grupo pode pegar até 15 anos de prisão – sem contar eventuais agravantes do caso. A denúncia foi recebida no último dia 11 de setembro pelo juiz Federal da 5ª Vara de Mato Grosso, Jeferson Schneider.

 

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