Conhecendo a origem do Bairro Cruz Preta em Poconé.

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Cruzeiro no espaço central do Bairro.
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150 anos após a nominação da localidade Cruz Preta no município de Poconé, o pesquisador e escritor Walney Rosa foi interpelado por estudantes a contar sobre a origem da localidade, fato que fez Walney retornar a sua essência de pesquisador e contador de causos históricos.

Confrontando informações repassadas de geração a geração entre os moradores mais antigos do Bairro Cruz Preta frente a manuscritos da Biblioteca Estadual, Documentos Religiosos e dados do Exercito Brasileiro a pesquisa foi concluída resultando em um artigo memorável…

CRUZ PRETA:

No segundo semestre de 1867, houve uma grande epidemia de varíola na região. Somente em Cuiabá foi registradas mais de três mil mortes.

Em Poconé não há dados exatos sobre o numero dos mortos, porém relatos informam que superaram 250 pessoas, num período de três a quatro meses.

Essa epidemia popularmente chamada de “bexiguinha” foi disseminada por soldados que retornavam da guerra do Paraguai (entre 1864 e 1870). Poconé teve poconeanos participando dessa guerra. Dos indigentes aos mais abastados, a cidade toda teve seus mortos.

Na época, na cidade pantaneira só havia um médico e um farmacêutico que tentavam salvar as vidas.

Já em Cuiabá o presidente da Província, José Vieira Couto Magalhães, mandou erguer um hospital provisório nas proximidades de um Acampamento Militar, destinado ao atendimento de pobres e indigentes.

Com tantas mortes, nasceu uma crendice popular na capital Cuiabá que se espalhou pelas cidades vizinhas, de que o povo estaria sofrendo um castigo divino.

Tanto em Cuiabá quanto em Poconé, a igreja passou a realizar longas celebrações e orações do santo rosário com as famílias brancas e abastadas.

Ainda no tempo da escravidão (abolição só ocorreu em 1888), em Poconé, negros alforriados e já catequizados, índios civilizados e famílias pobres ergueram uma grande Cruz para clamarem por piedade em detrimento da peste. Com tantas velas (de sebo) aos pés da Cruz a madeira escureceu ficando com o tempo chamado de região da Cruz Preta.

Não se sabe por certo se na mesma região já havia os ensaios da Cavalhada de Poconé, por isso o termo CAMPO DO ENSAIO, local próximo ao local da Cruz Preta. Porém com o inicio ou a continuidade dos ensaios da Cavalhada que tinham os cavaleiros de famílias católicas abastadas, auxiliados pelos pajens de famílias humildes da região da Cruz Preta, passou a ser aceita a Cruz Preta na localidade, absorvendo outro significado, o da fé católica, por certo o Cruzeiro é símbolo do processo de cristianização e o triunfo eterno sobre a morte.

Para ser oficialmente associada à igreja, os mais antigos e estudiosos definem que a Cruz Preta passou a ser aceita como Cruz de Malta; símbolo da Ordem de Malta, uma organização de cavaleiros cristãos que surgiu durante as Cruzadas, no século XI, esta relação não é confirmada pela igreja atualmente, apesar de ser recontada de geração a geração por alguns católicos.

O Bairro Cruz Preta em Poconé, possui uma das mais lindas, dramática e poética história de um povo que auxiliou na construção de uma cidade com características peculiares e culturais apaixonantes e envolventes.

Bairro Cruz Preta em Poconé, berço da história e cultura negra, indígena periférica.

POCONÉ:

A partir de 1750 (60) a exploração do ouro se expandia pela região da velha Cuiabá.

Na localidade onde hoje existe a cidade de Poconé, habitavam tribos indígenas, em especial a denominada Beripoconhé.

Com isso anos mais tarde, já em 1777, após oficializar a descoberta do ouro na região, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres foi tido como seu descobridor.

O primeiro nome do município foi Beripoconé, porém somente em 21 de janeiro de 1781 foi criada a ata de fundação do arraial (escrita por Antonio José Pinto de Figueiredo sob ordens do Governador Militar de MT Luis de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres).

A partir de 1790 (como consta em Atas e Documentos Religiosos) “com licença do Reverendo Doutor Vigário da Vara da Villa de Cuyabá” foi autorizada a presença de missionários para fazer batizados e casamentos no vilarejo.

Somente em 1827, o “Arraial de Sam Pedro de El Rey”, passou a ter oficialmente igreja Matriz tendo como Vigário o Padre João Heitor.

Em 25 de junho de 1831, foi criado oficialmente o município, com seus limites territoriais através de Decreto Geral do governo regencial, denominando-se Villa de Poconé. Em 01 de julho de 1863, Poconé recebeu o estatuto de cidade via Lei Provincial.

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