Índigena de MT tem mais de 500 mil inscritos em canal do YouTube

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NASCIDA NO XINGU

Ysani Kalapalo, que atualmente vive em São Paulo, agora quer conhecer outros países

Reprodução/Facebook

A índia Ysani Kalapalo, que ficou conhecida nacionalmente

DA REDAÇÃO

Nascida em uma pequena aldeia no interior do Xingu, em Mato Grosso, Ysani Kalapalo ganhou notoriedade em todo o Brasil após gravar vídeos no Youtube em que expressa suas opiniões e curiosidades sobre diversos assuntos, que chamaram a atenção de artistas nacionais e internacionais e até mesmo do presidente da República Jair Bolsonaro.

Atualmente o canal de Ysani tem mais de 500 mil inscritos, sendo assim a indígena com mais seguidores da plataforma digital.

Autointitulada uma “índia moderna”, Ysani disse em entrevista ao MidiaNews que gosta de viajar, conhecer culturas novas e por isso pretende viajar para fora do Brasil em breve para iniciar essa caminhada de curiosidade.

“Eu gosto de conhecer outros lugares, e agora quero conhecer outros países. Estou sempre querendo expandir os horizontes e não ficar no mesmo lugar”, revelou.

Bastante conhecida, em 2013 a índia discursou durante a sessão solene da Câmara dos Deputados, em Brasília, em homenagem aos povos indígenas.

Em 2019 chegou a embarcar com a comitiva brasileira que acompanhou Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), onde discursou sobre a política ambiental e indígena do Governo, em 2019.

Reprodução

india

Ysani em discurso na Câmara dos deputados, em Brasília, em 2013

Da etnia Kalapalo, Ysani nasceu e foi criada na aldeia Tehuhungu, composta somente por seus familiares, que existe há cerca de 30 anos e foi fundada pelos seus pais.

A aldeia Tehuhungu é diferente das demais da etnia Kalapalo. Segundo a índia, a família adotou políticas de convivência que exclui certos costumes, considerados crimes para o resto da sociedade.

“Nós criamos uma nova política, e ela excluiu muitas coisas que não concordávamos dentro da nossa cultura. A gente se atualizou. É uma aldeia mais aberta a novas ideias. As pessoas que vivem lá têm uma mentalidade mais aberta e mais receptiva”contou.

A criação do canal

De acordo com Ysani, o primeiro contato com a internet foi quando ela e a irmã adoeceram e os pais decidiram sair da aldeia para buscar cuidados em hospitais na cidade. Eles foram para São Paulo e, depois disso, decidiram ficar lá e com ajuda de conhecidos conseguiram se manter por um tempo.

Quando criou o canal no youtube, a indígena relatou que tinha apenas a ideia de desabafar sobre as coisas com as quais não concordava e afirmou que não esperava que isso hoje fosse se tornar uma ferramenta de trabalho, que traria ainda muitas coisas boas.

“Para mim era uma forma de protesto. Encontrei um espaço para falar das coisas que eu concordo e discordo, por mais que machuque outras pessoas. Uso pra falar da cultura indígena, da política indigenista, da crença indigenista, de acordo com a minha cultura, segundo a visão indígena e não de um antropólogo ou um historiador. É a visão de uma índia criada na tribo falando de sua cultura. Criei para mostrar esse lado que muita gente não sabia, muita gente não conhecia”, afirmou.

Queimadas

Ysani na aldeia onde nasceu, no Xingu

A respeito das queimadas que consumiram grande parte do pantanal mato-grossense este ano, Ysani diz que fica triste ao ver o cenário, mas que também não se pode generalizar e falar que os focos são sempre criminosos.

Para ela, nessa época do ano é natural as queimadas, assim como ocorrem todos os anos e espera que a chuva chegue logo para acabar com a agonia dos animais.

“Eu fico muito triste vendo os animais queimando, eles não têm culpa de nada. Mas ao mesmo tempo eu vejo que isso é muito comum acontecer, em todos esses anos vi isso acontecer no Xingu, todo ano tem. E partir de outubro, quando começa a chover, é um alivio pra gente”.

Planos para o futuro

Com a pandemia do coronavírus, a índia conseguiu tempo para trabalhar em um projeto que queria há tempos, uma autobiografia.

Apesar de ainda não ter data para término ou possível publicação, Ysani afirma que tem ocupado seu tempo livre para escrever.

“Eu andei refletindo e comecei a escrever um livro, uma biografia minha para deixar um legado aqui depois que eu um dia partir. O livro é uma coisa que fica pra sempre, então eu estou me dedicando agora nessa coisa de escrever, de criar um roteiro de filme, estou bastante focada nisso. Eu também estou expandindo meu canal e trazendo mais coisas novas”, contou.

Paralelo a isso, os planos para conhecer o mundo e culturas novas também já estão sendo colocados no papel. A possibilidade de votar a morar na aldeia onde nasceu? É descartada.

“Eu sou muito curiosa, vivo em São Paulo, mas estou sempre com um pé na aldeia. E ano que vem estou procurando passar um tempo fora pra aprender novas culturas além da brasileira”.

Quem quiser saber mais a respeito da rotina de Ysani pode segui-la por meio do seu canal no Youtube, ou em sua página no Instagram.

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