Romeiros de MT mantêm tradição de peregrinar até a Basílica de Aparecida

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FÉ EM TEMPOS DE COVID

Allan Pereira Arquivo Pessoal RDNews

Sem missas e com restrições de acesso por conta do coronavírus, um grupo de sete romeiros de Mato Grosso chegaram, nesta segunda (12), ao Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida (SP). O templo é onde fica a imagem original de Nossa Senhora de Aparecida, que é comemorada hoje pelos cristãos. Por cinco dias, o grupo andou a pé cerca de 200 km, passando por seis cidades paulistas até a basílica.

O principal organizador dessa jornada é o proprietário do Grupo Bravel, o empresário Fernando Waltrick Branco, de 54 anos, que há onze anos faz a romaria e ajuda mato-grossenses de todas as cidades a fazerem  o mesmo.

Segundo  Fernando, somento no ano passado, 150 mato-grossenses chegaram a fazer a jornada. Mesmo com as restrições e sem missas para celebrar o dia da padroeira, ele e mais seis mato-grossenses encararam a jornada. “A gente entendeu que tinha que agradecer a vida, principalmente nesse ano difícil. Formamos um grupo de sete pessoas, justamente por respeito às pessoas, devido a pandemia, para não criar de forma nenhuma aglomerações. É um grupo pequeno, mas só com um própoisito – rezar por todos aqueles que ficaram”.

A atual pandemia modificou a tradição católica de celebrações para o dia da Padroeira do Brasil. Pela primeira vez, desde que a santa foi descoberta por três pescadores no rio Paraíba, as missas acontecerão sem a presença de devotos e romeiros. A administração do Santuário aconselha os devotos a acompanhar as celebrações de casa, com as missas sendo transmitidas pela TV, rádio e internet.

Com a possibilidade de receber milhares de fiéis, a medida foi uma forma de evitar aglomerações e, consequemente, o contágio pelo vírus que causa a Covid-19. Somente no ano passado o dia de Aparecida atraiu 162 mil romeiros para a Basílica. “Estamos pedindo aos nossos romeiros para que adiem as romarias para Aparecida neste período”, esclarece o porta-voz do Santuário Nacional, padre José Ulysses da Silva.

Ainda assim, o grupo de sete mato-grossenses fizeram a romaria para agradecer as graças obtidas, mesmo em um ano difícil. As missas não poderam ser assistidas presencialmente. Mas, fora do horário das celebrações, a Basílica estará aberta para visitação das 12h às 17h. Assim, os fiéis poderão ver a imagem da santa – em grupos de 50 pessas por vez e cada grupo só poderá ficar por 3 minutos.

Os Amigos da Fé

O empresário Fernando, conta que começou a organizar as romarias como um simples agradecimento a Aparecida. Ele fez sozinho a jornada e encontrou com um grupo de romeiros paulistas que, há 21 anos, saem de Santo André até até o Santuário, em Aparecida (SP).

Arquivo Pessoal

Romaria Santu�rio Aparecida

Segundo Fernando, a romaria do grupo de Santo André começou com um devoto chamado Alexandre Carrara. O pai dele, o seu Antônio Carrara, era álcoolatra. “O filho fez um próposito; se a Nossa Senhora livrasse o pai da bebida, ele ia para Aparrecida a pé. E assim aconteceu”.

“O pai dele deixou a bebida e nunca mais tomou nada até o dia de hoje”, acrescenta Fernando. O pai do romeiro Alexandre ainda está vivo e, há 21 anos, ele cumpriu a intercessão da Santa acompanhado de dois amigos. Foi assim que começou a romaria “com um grande milagre”.

Nos anos seguintes, mais pessoas foram com Fernando. “Eu comecei sozinho e depois foi para nove pessoas, 18, 34 e, no no passado, nós estavamos em 150 romeiros”. O grupo se chama Amigos da Fé.

Em Santo André, os Amigos da Fé se juntam ao grupo de Alexandre. No passado, somando com os romeiros de Mato Grosso, os grupos mato-grossense e paulista somavam cerca de 600 devotos.

Segundo Fernando, a romaria de Aparecida “transforma as pessoas”. “Por isso, ela aumenta [a cada ano]. Pegamos chuva, sol. É difícil. Tem dor, bolha no pé, sofrimento. Mas ela é gratificante. Do primeiro ao último dia, ela traz uma transformação no caminho das pessoas, que voltam melhor para casa”.

Advogados relatam graças obtidas por interceção de Aparecida

Aconteceu em meio a epidemia de Zika. Em 2016, as duas filhas do advogado Julio Tardin, 66 anos, estavam grávidas de quatro meses, mas uma delas pegou o vírus que começou a ser transmitido pelo Aedes Aegypti, que passa a dengue e, de quebra, a chikugunha. “Foi uma martírio para nós”, relembra Julio.

Julio, que na época estava com 63 anos, não chegou a fazer promessa, mas pediu à Nossa Senhora de Aparecida para proteger a filha grávida. “Ficamos muito apreensivos e oramos muito”, diz. A criança nasceu em junho daquele ano, bem e sem sinal de microcefalia – uma das sequelas deixadas por mães infectadas pelo vírus.

Quatro meses depois, em outubro, ele fez a romaria até Aparecida no grupo organizado por Fernando. “Eu fiz para agradecer que a criança nasceu bem e perfeita. Não teve deformação do crânio. Fui também por gratidão, para agradecer mesmo por tudo que eu consegui nos últimos 10 anos”.

Julio acrescenta que, quando a criança fez três anos, exames não detecteram nenhum sinal do vírus da zika.

Tinha uma dificuldade para engravidar. Em uma das romarias, tive inteção de pedir para Nossa Senhora e, três meses depois da romaria, quando estava me preparando para a próxima romaria [em 2016], eu engravidei

Cristielia Lara

A advogada Cristielia Lara Sanção, 34 anos, conta que, desde 2014, faz romarias para a a Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Já fez quatro, sendo três delas jornadas de fé de cinco dias (2014, 2015 e 2019), também organizada pelo empresário Fernando. Ela ia até o local da imagem original de Aparecida para agradecer renovar a fé e agradecer graças de todo tipo – emprego, saúde, felicidade -, mas a principal foi por ter conseguido engravidar.

“Tinha uma dificuldade para engravidar. Em uma das romarias, tive inteção de pedir para Nossa Senhora e, três meses depois da romaria, quando estava me preparando para a próxima romaria [em 2016], eu engravidei”, conta.

Em outubro de 2017, ela levou o filho para ser batizado na Basília. Nesse ano não foi romaria, mas viagem. A fé em Aparecida vem de família, o seu avô era muito devoto e ia até a Basílica todos os anos. “Minha mãe trouxe isso com ela e passou para mim e a família toda”.

A advogada conta que tinha intenção de fazer a romaria neste ano. “Mas aí veio pandemia”, justifica o cancelamento. “Mas é uma experiência de vida que todo mundo deveria passar pelo menos 1 vez na vida. Caminhar na beira da estrada, sem nenhuma vaidade, sem nenhum próposito material ou específico. É uma experiencia de humildade e de fé. É uma superação”.

Cristieli fala que, quando se chega ao Santuário, “é uma sensação de superação, de físico e emocional”.

Sobre a jornada de cinco dias, Alexandre disse que é uma experiência forte. “Nós temos que acreditar que tem que buscar uma força superior para superar as dificuldades. Existe algo além da gente. Então eu me agarrei muito em Nossa Senhora [de Aparecida] por ser mãe. Ela poderia intercerder por nós”.

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