VICENTE VUOLO; BRT e a arte de enganar

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Uma propaganda enganosa para confundir a cabeça dos menos atentos

A Índia esteve sob a dominação da Inglaterra por quase 100 anos e, durante a Segunda Guerra Mundial, Mahatma Gandhi lutou para mudar esse cenário.

Ele fez vários protestos exigindo o fim da dominação britânica que praticava a violência contra homens e mulheres, a exploração dos recursos naturais e a pobreza que assolava o povo indiano. Gandhi foi um advogado anticolonialista e especialista em ética política.

Em suas pregações, Gandhi exaltava a vida, a coragem e a paz, mesmo diante da possibilidade de morrer pela mão do inimigo (ingleses), independentemente do que os ingleses pudessem fazer com ele como prisão, multa, confisco de bens, mas esse grande líder, jamais perdeu a dignidade.

Desde quando o candidato a presidente da República, Washington Luís, lançou o slogan “Governar é abrir estradas”, na campanha eleitoral de 1920, a ferrovia entrou em declínio no país.

De lá para cá, o Brasil passou a ser dominado pelas rodas do caminhão e dos ônibus poluentes. Estamos há mais de 100 anos como refém de um modelo de desenvolvimento de transporte poluente, movido por petróleo, que já não serve mais.

O nosso país continental transporta quase 70% de nossas cargas por rodovias, em longas distâncias, o que é irracional. Possuímos apenas 30 mil quilômetros de ferrovias dos quais a metade está sucateada. Urge, um plano nacional ferroviário.

Da mesma forma, nas cidades brasileiras, retiraram-se os trilhos dos bondes para introduzir os ônibus poluentes. O resultado dessa política que priorizou a indústria automobilística foi um desastre total. Congestionamentos, trânsito assassino (30.000 mortes por ano) aumento da poluição. Urge um plano nacional de mobilidade urbana sustentável.

O BRT anda pelo asfalto, que é petróleo. E não resolve o problema

Nos últimos anos, a indústria automobilística inovou para pior. Lançaram o BRT (Bus Rapid Transport), um ônibus duplo ligado por uma sanfona como sinônimo de modernidade fazendo comparações levianas com o VLT. Uma propaganda enganosa para confundir a cabeça dos menos atentos.

Na verdade, o BRT emite a mesma fumaça preta cancerígena que mata mais que a pandemia. O BRT possui pneus, que é petróleo.

O BRT anda pelo asfalto, que é petróleo. E não resolve o problema, pois transporta bem menos pessoas do que o VLT e congestiona ainda mais o trânsito caótico das grandes cidades.

Empresários de ônibus continuam exercendo o controle político e econômico (alguns com mandato eletivo), nas câmaras municipais, assembleias legislativas e no Congresso Nacional.

Pouco importa para esses barões se os seus ônibus poluentes matam no mundo mais de 9 milhões de pessoas por ano, o convívio com superlotação e a falta de conforto.

O que importa, sim, é o lucro, a exploração de jovens, idosos, cadeirantes e aposentados.

Até quando esses governantes sem compromisso com a sociedade irão aceitar de joelhos essa política draconiana.

Até quando o povo irá suportar essa ganância e exploração?

Em maio de 2019, lançamos uma campanha denominada “Movimento Pró VLT” pela retomada imediata das obras em Cuiabá e Várzea Grande. Apesar do desejo enorme da sociedade demonstrada em reuniões, audiências, protestos, o governador se recusa a fazer o que seria sua obrigação.

O governo do Estado paga R$ 4 milhões até 2047 mesmo o VLT não funcionando. Além disso, existem R$ 193 milhões na conta, dinheiro suficiente, para fazer a primeira etapa (Aeroporto-Porto-Centro) em pouco tempo. Isso representa a geração de 1.200 empregos diretos e 4 mil indiretos. O restante seria através de uma PPP. Ou seja, não há necessidade de o Estado gastar mais um tostão.

Mas, o governador não faz a obra porque é refém do poder econômico dos empresários dos ônibus poluentes. Se o dinheiro pode calar a boca do governador, não pode comprar a dignidade do povo cuiabano. Toda luta por ideal é dolorosa. Mas, a verdade e o amor por Cuiabá sempre triunfaram.

Ninguém compra a dignidade do povo cuiabano.

Vicente Vuolo é economista, cientista político.

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