Artista plástico leiloa primeira obra feita com cinzas das queimadas para arrecadar fundos ao Pantanal

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Da Redação – José Lucas Salvani Foto: Reprodução

A primeira obra feita com as cinzas das queimadas no Pantanal Mato-Grossense foi arrematada por R$ 2,5 mil, no leilão “Renasça”, do artista plástico cuiabano Adriano Figueiredo, no último dia 8 de outubro. O valor arrecadado será destinado ao Instituto Ação Verde, indicado pelo Coronel Barroso, comandante do Posto de Atendimento Emergencial aos Animais do Pantanal (PAEAS Pantanal).

No total, serão 10 pinturas leiloadas com o objetivo de ajudar no combate aos incêndios que atingem o Pantanal e na recuperação de um dos biomas mais ricos do mundo. Todas as telas são feitas com materiais coletados das queimadas, tornando o trabalho ainda mais forte e com um gigantesco impacto.

Cada obra ficará disponível para lances no Instagram e Facebook durante uma semana até que todas elas sejam vendidas. “Todo o dinheiro arrecadado com as vendas dessa exposição, que ganhou o nome de Renasça, será destinado a cinco instituições que trabalham na linha de frente do combate ao incêndio e recuperação do Pantanal”, explica o artista.

Processo artistico

Figueiredo detalha que a ideia de confeccionar e leiloar tais obras partiu de uma cliente que quis comprar uma de suas obras que havia queimado em protesto. Na época, o artista plástico não conseguia fazer mais representações coloridas e cheias de vida do Pantanal como de costume. Com o passar o tempo, as cores foram mudando para representar melhor a atual situação do bioma devastado pelo fogo.

“Meu trabalho tem como fonte de inspiração o Pantanal. Quando começou a pegar fogo, eu passei a ficar muito mal aqui no ateliê pintando um Pantanal colorido, enquanto os bichos estavam lá pegando fogo. Comecei a fazer intervenções na internet e coloquei fogo em uma obra. Com o tempo, eu não consegui mais fazer meus trabalhos coloridos e passei a fazer obras em preto e branco”, explica ao Olhar Conceito.

O artista plástico fez a pintura das obras no portal da Transpantaneira e em meio ao solo destruído pelo fogo. Figueiredo passou boa parte de sua vida próximo do Pantanal, o que tornou toda sua experiência muito mais significativa. Em alguns momentos, pensou em deixar de lado as obras e se juntar aqueles que estão na linha de frente contra o fogo, mas percebeu que poderia ajudar com o valor arrecadado das obras. Todos os materiais utilizados são de origem das incêndios, como carvão, terra queimada e cinzas

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