TURISMO; Passeio possibilita aventura e contemplação pelo rio Cuiabá

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JESSICA BACHEGA Gazeta Digital

Protagonista na fundação da capital por muito tempo o rio Cuiabá foi o principal meio de acesso à cidade e para quem desejava viajar a outros estados. Grandes embarcações levavam e traziam viajantes, maquinários, alimentos e todo tipo de produto necessário ao povo cuiabano. Dali também era tirado o pescado que sustentava muitas famílias.

Com o crescimento da cidade e construção de pontos, a navegação caiu em desuso cada vez mais, até se tornar extinta atualmente. Apenas pescadores em suas canoas são vistos no por ali. A fim de resgatar a história cuiabana e valorizar esse importante ponto da cidade, o guia de turismo Bráulio Carlos e o filho, Bráulio Schiffino Carlos II, idealizaram e colocaram em prática um projeto de caiaque, que possibilita passeio pelo rio em caiaques infláveis.

Há 30 anos, o guia deixou o Peru para estudar em Cuiabá. Se formou, casou e constitui família aqui. Sua especialidade é a observação de pássaros, no entanto realiza passeios onde o turista quiser. Diante da sugestão do filho de desenvolver um produto turístico que oferecesse passeios sem sair da cidade e explorando o rio, observando Cuiabá por outro ângulo, ele ajudou na criação e testes para que pudessem oferecer um produto agradável e seguro para o turista.

Bráulio Carlos II é estudante de Administração e conta que sempre acompanhou as viagens do pais e visitava muito o Pantanal. No entanto, a medida que foi crescendo se distanciou dos passeios locais e da cultura cuiabana. A ideia do caiaque veio após um intercâmbio que fez pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) à Colômbia. “Em cada cidade que eu visitava não podia deixar de perceber como o turismo sempre se aproveitava dos bens naturais de sua região”, comenta o rapaz.

Ele argumenta que destinos de turismo ecológicos mais próximos de Cuiabá estão no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães e no Pantanal de Poconé, o que demanda algumas horas de viagem até os locais.

“Foi quando realizei um tour de rafting no município de San Gil, na Colômbia, no qual o passeio literalmente termina no centro da cidade. Era possível ver os moradores em suas casas e os locais passando na rua e cumprimentando a passagem dos turistas no rio. Achei esse conceito magnífico e único, e foi quando lembrei do livro ‘Relatos Monçoeiros’ de Afonso de Taunay, que conta as histórias dos primeiros bandeirantes que chegaram a Cuiabá pelo rio”, explica.

Ainda na Colômbia ele contou ao pai sobre a ideia e começou as tratativas para testar como o projeto funcionaria na cidade. Por conta da pandemia de covid-19 todas as ideias ficaram em espera. O passeio de caiaque começou a sair do papel, seguindo orientações do Organização Mundial do Turismo (OMT).

Esse é o primeiro produto criado pelo estudante de Administração. “Dizem que o mais importante de viver fora de sua realidade é ver o mundo com os olhos de um estranho, e que uma vez que você volte ao lar, sua percepção sobre sua própria realidade muda para sempre”, comenta.

Mato Grosso tem muitos atrativos naturais, no entanto exigem pelo menos uma hora de viagem para que o turista chegue até eles. A proximidade e comodidade são os pontos fortes do caiaque no rio Cuiabá.

“O que jamais havíamos pensado é que há uma alternativa de atividade a ser realizada sem sair da cidade! Ninguém nunca pensou ser possível navegar o rio Cuiabá de ponta à ponta da cidade, passando pelas pontes que unem Cuiabá à Várzea Grande. É cômodo, prático e qualquer um pode fazer”, relata.

O passeio

Existem duas possibilidades de percurso. Ambos saem de um ponto de encontro na Passagem da Conceição, em Várzea Grande. Um deles, de 14 km rio abaixo é finalizado na Orla do Porto, em Cuiabá. O segundo, mais longo, percorre 17 km até a comunidade São Gonçalo Beira Rio, ponto turístico da cidade que proporciona ao visitante saborear vários pratos à base de peixe em um dos restaurantes à margem do rio.

A atração é indicada para todas as pessoas. Não é preciso saber nadar, nem ter experiência com remo.

Antes de descer a correnteza, o aventureiro recebe um breve treinamento de como de comportar dentro do caiaque, que é inflável. Como remar, como parar, como passar por locais de corredeiras. Cada veículo transporta duas pessoas e as posições de quem vai na frente ou atrás é definida considerando a “habilidade” de cada um.

Se você acha 17 km um trajeto muito longo e cansativo, fique tranquilo. Você não vai remar o percurso todo. Pelo contrário, vai se esforçar bem pouco. Na maior parte do trajeto a correnteza leva a embarcação e o remador só precisa definir a direção a seguir.

No trajeto é feito uma parada para o “banheiro” e lanche. É importante levar água, vestir roupas com proteção UV, passar bastante filtro solar e usar viseira, pois um chapéu irá atrapalhar o encaixe do capacete.

Durante a descida, o rio surpreende o turista com trechos mais largo, de águas calmas e límpidas. Outras partes são com mais “emoção” ao travessar pedreiras que formam ondas um pouco mais altas e balançam mais o caiaque, porém  o barco não vira e com paciência, deixando a natureza agir, o “piloto” irá atravessar a agitação sem problemas. Caso alguém caia na água, há um apito preso ao colete salva-vidas que pode ser acionado para que o guia o identifique e resgate.

Pelo caminho é possível ver peixes pulando para fora da água e aves belíssimas. Também é possível avistar pessoas pescando em canoas ou barrancos às margens do rio. Visitantes tomam banho e fazem festa onde a água é mais limpa.

Por vários momentos a paisagem leva o turista a acreditar que está no Pantanal. A calmaria e o silêncio tomam conta. Só é possível ouvir o som do remo cortando a água. Por momento é inevitável esquecer que se está dentro da maior cidade de Mato Grosso, ao longe se vê os prédios na região central.

O passeio passa por quatro pontes que ligam Cuiabá e Várzea Grande: Júlio Muller, Ponte Nova, Mario Andreazza e Sérgio Motta. Durante todo o trajeto, o guia explica um pouco sobre a história de cada travessia e como contribuíram para a evolução de Cuiabá, além narrar trechos da história da capital.

“Nosso rio é calmo, seguro e acessível. Além disso, pode-se contar com a segurança dos equipamentos que fornecemos e com o bom atendimento da minha equipe e de mim”, destaca idealizador do projeto.

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