Paccola: “Sou PM e estou pronto para qualquer enfrentamento”

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Tenente-coronel falou sobre projetos e relação com o futuro prefeito, e revelou seu sonho na política

CÍNTIA BORGES
DA REDAÇÃO

Eleito vereador no último dia 15, o tenente-coronel da PM Marcos Paccola (Cidadania) afirmou que não vai abaixar a cabeça para adversários em eventuais embates que vier a enfrentar na Câmara de Cuiabá.

 

Paccola – que teve 2.009 votos – foi eleito em sua primeira disputa eleitoral. Ele integrará a maior bancada do Legislativo Municipal, que é do Cidadania, com três integrantes.

 

“Estou preparado para tudo. Eu, como policial, como homem de operações especiais, pode-se dizer que estou pronto para o enfrentamento em qualquer nível”, disse o PM, que foi do Bope (Batalhão de Operações Especiais) durante dez anos.

 

“Eu espero que tenhamos uma convivência republicana, de respeito e humildade. Estamos ali para representarem nossos eleitores, que esperam de nós, mais do que tudo, uma atuação responsável e coerente”, disse o candidato.

 

Eu espero que tenhamos uma convivência republicana, de respeito e humildade. Estamos ali para representarem nossos eleitores, que esperam de nós, mais do que tudo, uma atuação responsável e coerente

Paccola ainda afirmou que fiscalizará com mesmo rigor qualquer que seja o vencedor no segundo turno da eleição na Capital – Abílio Júnior (Podemos) ou Emanuel Pinheiro (MDB).

 

Na entrevista que deu ao MidiaNews nesta semana, ele ainda falou sobre seus principais projetos e revelou um sonho: ser presidente da República.

 

Confira a entrevista na íntegra:

 

MidiaNews – O senhor foi eleito com 2.009 votos. Como avalia sua primeira campanha para cargo eletivo?

 

Marcos Paccola – Se tem uma coisa que foi vista e sentida nas ruas é o desejo de mudança. Nós tínhamos dois perfis claros de eleitores, e um oculto. Os dois primeiros são o descrente da política e os que têm que participação mais ativa na política, independente da corrente ideológica. E temos o perfil do eleitor oculto, que é o de interesse. Que é o que quer, por vezes, algo em troca.

 

Na minha campanha eu bati muito na tecla de: “Eu não vim pedir seu voto, vim pedir sua consciência”. Quem pede voto é pedinte, é aquele que depende daquilo que pede para sobreviver, e eu não pretendo depender da política para sobreviver.

 

Foi uma estratégia que usei e muita gente parou para ouvir o que eu estava falando. “Ué, mas se você não veio pedir meu voto, então o que está fazendo aqui?”. E era onde eu entrava e falava sobre a importância de drenar o sistema.

 

E como drenar? Eu falava: “Se você souber de alguém que está pagando para adesivar carro, para trocar por ticket combustível, para qualquer coisa que vai ser remunerada, não vote nesta pessoa”.

 

MidiaNews – A que o senhor atribui essa grande renovação que houve na Câmara?

 

Marcos Paccola – O desejo do povo é soberano. Esse resultado não é uma questão de partido, nem de ideologia. A população deu o recado: não coaduna com a injustiça. Aqueles que se juntaram por cabresto, com alienação, ao atual prefeito e decidiram fazer o que ele pediu que era tirar o Abílio, que era quem mais estava expondo os ‘podres’ do sistema… Dos 15 vereadores que votaram favoráveis à cassação do Abílio, 11 não voltaram.

 

O que isso quer dizer? As pessoas não coadunaram. É a primeira vez na história que um presidente e ex-presidente [refere-se a Misael Galvão e Justino Malheiros, respectivamente] não se reelegeram. Fizeram uma votação pífia diante de toda estrutura de campanha que tinham. O resultado foi a população dizendo que não coaduna com a injustiça.

 

MidiaNews – Está trabalhando na campanha do Abílio neste segundo turno?

 

Marcos Paccola – Diego Guimarães, Rodrigo Sá, Dilemário, Wilson Kero-Kero, eu e todos os vereadores eleitos pelo Podemos e Cidadania estamos trabalhando desde o fim de domingo (15), quando foi anunciado o resultado do primeiro turno.

 

A gente tem que deixar claro para a população que não deixaremos de fiscalizar, mas mais importante que fiscalizar […] Eu uso exemplo da pesca predatória. Não adianta você ter uma excelente fiscalização e apreender todo peixe que foi pego com rede, porque o peixe está morto. Então é melhor a gente atuar preventivamente.

 

A grande diferença da nossa fiscalização com o Emanuel ou com Abílio e Wellaton é que eu acredito que atuaremos mais fortemente na prevenção estando com Abílio e Wellaton na Prefeitura.

 

MidiaNews

Coronel Marcos Paccola 11-2020

Paccola sobre renovação na Câmara: “O desejo do povo é soberano”

MidiaNews – Há projetos referentes a essa atuação preventiva?

 

Marcos Paccola – Tentaremos avançar até para a própria Assembleia Legislativa, que é um projeto da bancada do Cidadania e Podemos. É a implementação do Observatório Anticorrupção dentro da Câmara Municipal de Cuiabá.

 

Queremos uma parceria público-privada e todas as fiscalizações serão feitas pelo setor público e privado. Um exemplo: se eu pegar uma planilha de construção, eu não entendo nada. Mas empresas que não participam de licitação serão chamadas, e veremos quem dentro daquela empresa poderia fazer uma auditoria. Então será uma auditoria externa, de empresas que não participam de processo licitatório, que vão olhar e dizer se a planilha está ok ou não, ou até levantar suspeição.

 

Esse é um projeto inspirado em uma estrutura que funciona dentro do Ministério da Infraestrutura com o ministro Tarcísio de Freitas. Já fizeram 52 denúncias de desvio.

 

O Hospital Municipal de Cuiabá, por exemplo, já recebeu recurso federal por duas vezes, mas quem fiscaliza? Esse é um dos grandes projetos que temos.

 

MidiaNews – Há outros projetos?

 

Marcos Paccola – Nós queremos implementar um programa de proteção a testemunhas para fontes humanas que decidirem participar da desestruturação de organizações criminosas. Como isso funcionará? Aquelas pessoas que estiverem sendo cooptadas e não coadunam, mas se sentem em uma situação que não conseguem sair… E ela voluntariamente traz a situação. Nós procuraremos o Poder Judiciário e o Ministério Público do Estado para autorizar essa operação controlada. Ou seja, ele será um “infiltrado”.

 

Essa pessoa receberá todas as ferramentas de escuta autorizada e oculta, produzirá as provas, e a gente vai desestruturar a organização criminosa. Ou seja, antes dele cometer o possível crime, antes da “casa dele cair”, ele falaria: “Eu estou numa situação que não sei o que fazer. Não quero coadunar, mas quero ajudar a desestruturar”. Por isso o programa de proteção a testemunha, para que a gente possa produzir provas e ter efetividade na ação.

 

A ideia é de que essa pessoa receba por isso 50% ou 100% a mais do que ele já recebe. Então, um servidor que ganha R$ 4 mil, se ele aceitar fazer parte de programa de proteção a testemunha, ele ganhará duas vezes mais pelo bem que fará à população.

 

Isso causará uma instabilidade no sistema, porque ninguém vai saber quem está ou não recrutado, e a gente tem que acabar com essa história de “rachadinha” e outras baixarias.

 

MidiaNews – Mas isso seria no âmbito da Câmara ou também na Prefeitura?

 

Marcos Paccola – No Município. Claro que ainda temos que estudar a questão legal para que isso possa ocorrer. Mas acredito que é possível. E pode ser estender para a própria Assembleia Legislativa.

 

MidiaNews – O senhor vem da Segurança Pública e sabe que a maioria dos crimes tem ligação com o tráfico e uso de drogas. Tem algum projeto de prevenção ao uso de drogas entre jovens em Cuiabá?

 

MidiaNews

Coronel Marcos Paccola 11-2020

Vereador eleito quer implantar programa de proteção a testemunha no âmbito municipal

Marcos Paccola – A Segurança Pública é nossa principal bandeira. Nós temos, em especial, um projeto para fortalecer a atuação dos policiais militares nas jornadas e programas com a possibilidade de utilizar inclusive o pessoal da reserva do Exército Brasileiro para atuar nas escolas, postos de saúde…

 

Em especial, para a questão das drogas, precisamos voltar com as casas de apoio. A gente conversou com muitas pessoas, inclusive dependentes de álcool, e perguntamos: “Se você tivesse um lugar para você dormir, você ficaria na rua?”.

 

Então precisamos fortalecer os programas e investir preventivamente na questão do esporte. Precisamos de projetos sociais que trabalhem o civismo. Há dois projetos sociais da Polícia Militar que eu conheço, que é o Jiu Jitsu Rotam e o Judô Bope, que hoje já têm atletas na federação brasileira.

 

Nós temos um projeto, não é uma promessa, que é a fazer a “uberização” da Saúde. Em que você sai da unidade e classifica o atendimento do médico. A gente tem que achar uma ferramenta na palma da mão. O mundo hoje é digital. A minha campanha foi digital.

 

MidiaNews – O senhor tem intenção de concorrer à Mesa Diretora?

 

Marcos Paccola – Nós estaremos concorrendo. Eu, como militar, sou seguidor de hierarquia e disciplina. Então temos o Diego Guimarães, que foi o vereador mais votado e tem prioridade. A minha vontade é de que o Diego seja candidato a presidente da Câmara. Mas se ele não for, eu me coloco à disposição.

 

E iremos entrar, não por questão de oportunidade, mas para fazer a diferença.

 

E não acreditando apenas nas possibilidades de redução de duodécimo, de enxugar a máquina. Porque temos que dar exemplo de casa. A Câmara tem que custar menos aos cofres públicos. Ele tem que fazer mais com menos. É o meu projeto de campanha, a gestão estratégica.

 

E uma prova disso é a minha campanha. Foi uma campanha que custou R$ 20 mil e teve 2.009 votos. Se eu dividir a quantidade de votos pelo tanto que gastei, talvez tenha sido a melhor gestão em termos de capital investido pelo retorno.

 

MidiaNews – O senhor vai defender pautas conservadoras na Câmara?

 

Marcos Paccola – Sem dúvida. Meu pacto de representação são os conservadores ideais republicanos. Mas é preciso deixar claro, porque as pessoas confundem conservadorismo com ser retrógrado.

 

O valor conservador tem quatro pilares. O primeiro é sustentar uma sociedade valorizando a família; o segundo é o temor e respeito a Deus; o terceiro a defesa da liberdade. O Estado deve interferir o mínimo possível na vida das pessoas, na atividade econômica. E o quarto é a valorização do civismo. Esses são os quatro pilares: Deus, pátria, família e liberdade.

 

MidiaNews – Caso Emanuel seja eleito, como o senhor pretende atuar na Câmara? Atuará da mesma maneira com Abílio e Wellaton?

 

Uma coisa é certa: se Emanuel for eleito – o que acho pouco provável -, não terei problema nenhum de tratar dos assuntos que forem de interesse da população. Quando eu perceber que algo está sendo feito por interesses de grupos ou até para favorecer a corrupção, será investigado

Marcos Paccola – Atuarei da mesma forma. Não há por que mudar se foi A ou B. O meu trabalho tem que ser feito para representar os meus eleitores. Não farei o meu trabalho para agradar prefeito, tenho que fazer o que me colocaram lá para fazer. Para mim não muda nada, talvez mude para a população.

 

Mas uma coisa é certa: se Emanuel for eleito – o que acho pouco provável -, não terei problema nenhum de tratar dos assuntos que forem de interesse da população. Quando eu perceber que algo está sendo feito por interesses de grupos ou até para favorecer a corrupção, será investigado.

 

E se Abílio e Wellaton forem eleitos, da mesma forma. Não terá diferença de tratamento para A ou B. Eles são o Executivo e têm a missão de bem executar o dinheiro que não é público, é do contribuinte. Praça é pública, todos chegam, sentam e usufruem. Dinheiro é do contribuinte. Então é preciso respeitar. E esse dinheiro precisa ser bem executado, por isso chama Executivo. E nós, como Legislativo, vamos fiscalizar e colocar ferramentas por meio de leis.

 

MidiaNews – Mas caso o Emanuel seja eleito, está preparado para enfrentar a base dele como Abílio enfrentou?

 

Marcos Paccola – Estou preparado para tudo. Eu, como policial, como homem das operações especiais, pode-se dizer que estou pronto para o enfrentamento em qualquer nível que alguém decidir e quiser enfrentar.

 

Eu espero que tenhamos uma convivência republicana, de respeito e humildade. Estamos ali para representar nossos eleitores, que esperam de nós, mais do que tudo, uma atuação responsável e coerente. Independente de ser ou não base do Emanuel, se apresentarem bons projetos, votarei favorável. Eu não tenho nada contra pessoas, mas contra condutas.

 

MidiaNews – O senhor citou o fato de economizar recursos da Câmara. Pretende abrir mão de parte da sua verba indenizatória?

 

Marcos Paccola – Com toda certeza buscarei fazer o gasto mais justo possível. São coisas que eu tomo muito cuidado. A única coisa que eu posso entregar é o melhor de mim, é dar a minha melhor versão como vereador.

 

Agora, eu preciso saber é o que são os gastos de um gabinete para saber o que é justo e o que não é. Uma coisa eu garanto: o nosso gabinete será um dos mais econômicos da Câmara.

 

Nós lutaremos pela redução do duodécimo, temos que dar exemplo. Se tivermos vereadores com a mesma disposição que eu, teremos pela primeira vez na história uma Câmara Municipal com redução de custos e não aumento. Porque só assim poderemos pensar em reduzir tributos.

 

MidiaNews – Considerando que seu grupo assuma a presidência da Câmara, é possível que haja demissão de servidores?

 

Marcos Paccola – Sem sombra de dúvida. É lógico que a máquina precisa ser reduzida. E para isso, é preciso haver corte de gastos com pessoal. O custo maior dos gastos está em cima da folha de pagamento de servidores, que inclui os comissionados.

 

Qual o interesse de manter um número alto de comissionados? Existem sim comissionados competentes, e esses devem ser valorizados. E a melhor forma de valorizá-los é abrir um concurso para o bom servidor ser efetivado. O concurso é um meio objetivo de dizer: você está mais preparado que o outro. Ao menos tecnicamente.

 

E aí aproveito para falar sobre a crítica de inexperiência, que o caminho da experiência é adquirir conhecimento, desenvolver habilidade, e se tornar um profissional de excelência. Esse é o meu objetivo dentro da Câmara.

 

Eu já venho há um tempo estudando para adquirir conhecimento. Mas uma coisa é a teoria, a outra é a prática.

 

A gente vai sim enxugar, mas o bom profissional pode ter certeza que, mesmo se ele for indicado por fulano, mas se for uma pessoa correta e competente, com toda certeza a gente vai lutar para que essa pessoa permaneça.

Midianews – Nós temos visto muitos PMs disputando eleições. O senhor acha que, entrando na política, estes militares podem combater o crime ornganizado que se infiltrou na vida pública?

 

MidiaNews

Coronel Marcos Paccola 11-2020

“O crime organizado está sim inserido em todos os níveis. Nós temos denúncias, ainda não consolidadas, de que pessoas de uma facção estavam fazendo compra de votos”

Marcos Paccola – É o que se espera. Nós temos crime organizado, organizações criminosas e facção criminosa. São termos parecidos, mas são coisas diferentes. O crime organizado está sim inserido em todos os níveis. Nós temos denúncias, ainda não consolidadas, de que pessoas de uma facção estavam fazendo compra de votos.

 

E espera-se de um político que seja policial, seja militar ou civil, mais ainda. A prova é a saída do delegado Marcos Veloso, que ficou ao lado do Emanuel Pinheiro, foi a favor da cassação do Abílio, e não se reelegeu. Então, como a teoria se afastou da prática, ele teve a resposta das urnas.

 

MidiaNews – O senhor acredita que houve crimes por parte de integrantes desta legislatura que está terminando?

 

Marcos Paccola – Ali dentro houve um acordo, uma leniência. Foi muito claro que os vereadores ficaram no cabresto, literalmente, do Emanuel Pinheiro. Ele direcionou para o lado que ele queria. Agora, se isso foi feito de forma criminosa, são os órgãos fiscalizadores que devem comprovar.

 

Temos que tomar cuidado com o discurso populista e dizer que tudo é crime e todos são criminosos. Acho que a gente ter muito cuidado antes de falar.

 

MidiaNews – Deseja, no futuro, ocupar outros cargos políticos, como deputado estadual ou federal?

 

Marcos Paccola – A carreira política é algo que não existe. Carreira é quando se tem planos de cargos e carreiras, mas a vida pública existe. Eu sempre ofertei o melhor de mim, e quero sim trabalhar para poder representar o maior número de pessoas sempre, desde que eles validem o meu trabalho.

 

Eu poderia ter aguardado para tentar logo o cargo de deputado, mas eu decidi começar pelo exercício mais difícil, que é ser vereador. O exemplo que eu tenho é do presidente Bolsonaro, que começou em 1988 como vereador e chegou a ser presidente da República. E eu sonho um dia ser presidente da República, e para isso eu tenho que ter uma jornada em que eu possa falar como ele fala: “Me chamem de tudo, menos de corrupto”.

 

MidiaNews – Os adversários dizm que Abílio e Wellaton não têm experiência para administrar Cuiabá. Como o senhor vê essa crítica?

 

Marcos Paccola – Eles têm a principal característica que alguém precisa para tocar o Executivo: coragem, determinação e, principalmente, honestidade.

Falam que eles são inexperientes, mas esses meninos inexperientes fizeram a maior bancada com três vereadores do Cidadania e dois do Podemos. A política mudou e a população quer experimentar algo novo.

 

A nossa geração não foi em vão. Somos o orgulho dos nossos pais e a esperança dos nossos filhos. A mudança do Brasil está nessa geração de 25 a 40 e poucos anos.

 

MidiaNews – Se Abílio for eleito e chamá-lo para ocupar alguma secretaria, o senhor aceitaria?

 

Marcos Paccola – Não. Não é por falta de vontade, mas para ocupar uma secretaria eu não precisaria colocar meu nome no pleito. E as pessoas que votaram em mim, votaram para me ver como um vereador atuante, não um secretário.

 

Se eu tivesse, por exemplo, em um segundo mandato, como o Kero-Kero, Dilemário, ou o próprio Diego, e outros vereadores que já executaram cargos e já foram chancelados, aí seria plausível assumir.

 

Agora, na condição de vereador em primeiro mandato, não farei isso com meus eleitores, porque tenho certeza que eles teriam uma decepção terrível comigo.

Fonte: https://www.midianews.com.br/

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