SEMANA DA MULHER: Doninha previu queimada no pantanal e pandemia

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Por Walney Rosa

“Quando os filhos do novo milênio forem adultos vão ver o pantanal pegar fogo e não saíram de casa porque haverá uma grande peste matando pessoas no mundo todo”, afirmou Doninha.

Entende-se que são pessoas nascidas no início dos anos 2000 que em 2020 estariam adultas.

Na semana da mulher, destacamos a mulher mato-grossense e poconeana de maior vulto histórico no Brasil. Trata-se de Laurinda de Lacerda Cintra; Doninha do Tanque Novo ou Doninha do Caeté. Igual a Doninha, não há outra poconeana de maior visibilidade em todo país e suas fronteiras.

No caso da história de Doninha e os esclarecimentos contidos no livro “A Fé e o Fuzil”, tentam colocá-la em primeiro plano, como agente do papel principal. No livro foi possível apresentar a versão dos perseguidos, dos presos e dos humilhados… A versão verdadeira dos fatos ocorridos em Poconé por volta dos anos 30.

Apesar de Doninha ser a nossa personagem feminina principal em Poconé, não podemos deixar de esclarecer sobre a linha tênue entre Laurinda de Lacerda Cintra e Getulio Vargas: esta linha tênue chamava-se Filinto Strubing Müller e seu comandado em Poconé; Antônio Avelino Corrêa da Costa.

Hoje em Poconé parte da população rende homenagens a Antonio Avelino devido ao seu “importante desempenho” pelo desenvolvimento da cidade, tantas foram às formas de agradecimento que teve seu nome batizado a uma escola municipal. Doninha não.

Já Filinto Müller, que entre tantas homenagens teve em seu oferecimento, ruas e avenidas e um busto localizado na Praça 8 de Abril em Cuiabá, capital de Mato Grosso.

E são essas homenagens póstumas que sempre reacendem as chamas da discussão em torno dos “nossos heróis”. A grande maioria dos livros de história apresenta o povo apenas como figurante aplaudindo os heróis da situação e da oposição. Não apresentando que “os poderosos da época – os coronéis” não sabiam a diferença nem conheciam os limites que separavam a transgressão das leis e o crime das práticas políticas e atuação repressiva contra o povo.

O uso da força policial para destruir o arraial de Tanque Novo e a prisão de Doninha em Poconé, pela Interventoria Federal (Delegacia Especial de Segurança Política e Social) se justificou, equivocadamente, segundo historiadores, pelo fato de seus moradores participarem de disputas políticas, levando o poder constituído da época a considerar o local como reduto de “fanáticos”, “vândalos” e “cangaceiros” denotando puro jogo de interesse político.

LAURINDA DE LACERDA CINTRA:

Nascida no mês da mulher, dia 19 de março de 1904. Aos 27 anos (em 1931) Laurinda estava grávida do terceiro filho, quando presenciou uma aparição mariana ou aparição da Virgem Maria, fatos que são fenômenos nos quais se acredita que Maria, a mãe de Jesus, aparece a uma ou várias pessoas, no entanto a Igreja Católica até então não aceitou essa tese de aparições em Poconé.

Segundo depoimentos após três aparições marianas doninha passou a ver a “sagrada família”, Jesus, Maria e José, no entanto somente Maria falava com a fiel, por isso foi chamada por Doninha de “A mulher da Verdade”

As aparições da virgem Maria para Senhora Laurinda (Doninha), passaram a ser freqüentes e orientavam Doninha a sugerir chás homeopáticos e orações aos necessitados, e isso trazia curas consideradas milagrosas.

“Curas imediatas, receitas simples de medicamentos caseiros até então desconhecidos, foram o suficiente para satisfazer a crendice popular e constatar que estavam diante de um fenômeno para-normal. Em meses as romarias começaram, pessoas de todos os cantos vinham por necessidade ou curiosidade e ali comprovavam a existência dos milagres” (texto Livro a Fé e o Fuzil).

“Os milagres e as adivinhações eram constantes, já os remédios receitados por Doninha eram simplesmente encontrados através da flora medicinal com receitas caseiras a também na água da fonte que apareceu em Tanque Novo. A água teria ações milagrosas bem como areia da vertente teria poderes para curar as doenças daqueles que ali chegavam e acreditavam nesses poderes de cura”.

Com isso foi criado o Arraial de Tanque Novo que passou a ter uma atenção especial do prefeito Coronel Manoel Nunes Rondon (conhecido como “Bem Rondon”), nomeado pelo Governo de Getúlio Vargas.

Já em 1932, com o cuiabano Leônidas de Matos como novo Interventor do estado, foi nomeado em Poconé Antônio Avelino Corrêa da Costa, popular Nhô Tico, que é declaradamente contrário ao Arraial de Tanque Novo, Doninha e seus seguidores.

Doninha foi presa e torturada por duas vezes, em 1932 e em 1933, devido ao período da história considerado “Era Vargas”, que teve início logo após a Revolução de 1930, com prisões e torturas em todo o país, finalizado em 1945 com a deposição de Getúlio Vargas.

PREVISÕES:

A televisão, por exemplo, foi prevista por ela quando afirmou; “hoje vocês estão impressionados com o rádio, mas vai chegar o dia em que o rádio vai ter imagem e você vai poder olhar o mundo inteiro dentro da sua casa”. A devastação ambiental, inclusive em Poconé, causada pelo garimpo urbano e no pantanal a decadência da pecuária.

“Quando os filhos do novo milênio forem adultos vão ver o pantanal pegar fogo e não saíram de casa porque haverá uma grande peste matando pessoas no mundo todo”, afirmou Doninha. Supostamente falando sobre as queimadas ocorridas em 2020 e a pandemia do covid-19.

Previu que voltaria a casas dos poconeanos no novo milênio, em 2011, o livro com sua biografia foi lançado.

MORTE DO ALGOZ:

Quando encarcerada, Doninha estava sendo cruelmente torturada Filinto Müller teria esbravejado que “Bruxas deveriam ser queimadas vivas”; Doninha teria respondido com voz bastante fraca: “Não sou bruxa Senhor Doutor, mas a Mulher da Verdade mandou dizer que não sou eu quem vai morrer queimada. Mas Deus já terá me levado deste mundo quando o Senhor for envolvido pelo fogo ainda em vida”.

Doninha faleceu em 26 de junho de 1973 e não ficou sabendo que 19 dias depois Filinto Müller teria morrido queimado em um acidente de avião. Ele faleceu em julho de 1973 num dos mais dramáticos acidentes aéreos da aviação internacional Vôo Varig 820, no Aeroporto de Orly, em Paris.

MORTE DE DONINHA:

Em 19 de março de 1973 Doninha comemora seu aniversário com toda família, quando afirmou: “O final de minha sentença será no dia 31 de março. Depois disso, irei caminhar no campo infinito”. Em 1 de abril de 1973 bem de manhazinha ela sofreu um derrame cerebral, ficando em coma e com metade do corpo paralisado. Um novo derrame foi fatal em Doninha, no dia 23 de junho, do mesmo ano, encerrando sua história no Caeté. Laurinda de Lacerda Nunes faleceu em Poconé em 23 de junho de 1973 deixando 11 filhos e centenas de seguidores.

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1 COMENTÁRIO

  1. sobre doninha do caeté:

    ela foi e será minha companhia para sempre, quando não estou bem, ela me cuida, me guia, e me orienta.
    ela tem várias histórias sofridas, mais lindas para ser contadas, o livro lançado em 2011 conta algumas de suas defesas dos fracos, seu credo sempre foi muito forte em JESUS MARIA E JOSÉ, A SAGRADA FAMÍLIA.
    ah se estivéssemos filhos que tenham tanta fé como ela teve, o mundo seria outro.
    até hoje vou buscar água benta em seu depósito, (tanque novo).

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