Delegado da PF diz que incêndios do Pantanal foram criminosos e investiga quatro fazendas

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PARA FORMAR PASTO

Da Redação – Isabela Mercuri Foto: Reprodução

O delegado da Polícia Federal Rubens Lopes da Silva participou de uma audiência na Comissão Externa da Câmara na última quinta-feira (25), e afirmou que há “fortíssimos indícios” de que os incêndios que aconteceram no último ano no Pantanal foram criminosos. Segundo ele, quatro fazendas estão na mira das investigações. O objetivo do fogo seria formação de pasto para criar gado. A comissão era destinada a acompanhar e promover estratégia nacional de enfrentamento às queimadas em biomas brasileiros.
Rubens é chefe da Divisão de Repressão a Crimes Ambientais e contra o Patrimônio Histórico da Polícia Federal (PF), e foi convidado para falar sobre o andamento das investigações sobre os incêndios no bioma pantaneiro. O convite se deu a partir da aprovação do Requerimento 01/2021 de autoria da coordenadora da Comissão Externa, deputada federal Professora Rosa Neide (PT) e do deputado Israel Batista (PV-DF), aprovados na última reunião do colegiado na terça-feira (23).

Essa é a segunda vez que o delegado Rubens comparece à Comissão para informar sobre as investigações. Na primeira audiência, no final de 2020, ele destacou que a PF havia feito a abertura de quatro inquéritos para apurar as causas e responsabilidades pelos maiores incêndios da história do Pantanal, que devastaram 30% do bioma.

“Tínhamos como alvo quatro fazendas. Conseguimos mandado de busca e apreensão e conseguimos encontrar celulares e a extração dos dados desses aparelhos apontam fortes indícios de incêndios criminosos naquelas quatro propriedades”, afirmou o delegado.

Rubens da Silva informou ainda que durante as investigações o Ministério da Justiça e Segurança Pública fez a aquisição do sistema de imagens e monitoramento denominado Planet – SCCON, que permitiu aos investigadores conseguirem identificar o exato momento onde os focos de incêndio tiveram início e para onde se alastraram.

De acordo com o delegado, o sigilo judicial do inquérito ainda não foi quebrado, mas os laudos preparados pela equipe de investigadores e um documento assinado por peritos com as imagens e a linha do tempo, onde os focos tiveram início e a propagação das chamas será repassado à Comissão.

Rubens da Silva ainda afirmou que em breve haverá indiciamentos. “Estamos concluindo a perícia nos celulares e nos locais onde os focos tiveram início para fazermos o indiciamento e apresentarmos ao Brasil os responsáveis pelo crime de incêndio no Pantanal”.

O deputado Doutor Leonardo (Solidariedade-MT) questionou o delegado se os crimes sob investigação foram cometidos nos dois Estados que abrigam o bioma. O delegado respondeu que todos os focos foram criminosos, mas que a investigação está centrada em quatro fazendas localizadas no Pantanal de Mato Grosso do Sul. “Além dos dados dos celulares apreendidos e das imagens temos provas testemunhais. Fizemos sobrevoo nos 4 mil hectares das quatro fazendas”.

Além disso, o delegado afirmou que os incêndios na Amazônia em 2020 também foram criminosos, e foram potencializados porque havia a expectativa entre os criminosos pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 191/2020 de mineração em terras indígenas.

1 COMENTÁRIO

  1. Cui prodest? A quem aproveita? Quem lucrou com o crime? Essa transferência de responsabilidade para fogo para pasto revela amazônica dissonância cognitiva, narrativa reiterada para transformar vítimas em culpados…

    Avisos de que as reservas e seu acúmulo de biomassa combustível nunca se constituíram em ameaça ou conspiração ameaças, antes, previsão realista de fatos que já se repetiram inúmeras vezes,!
    Com a remobilização de nutrientes nas mesmas áreas calcinadas já existe um novo acúmulo de combustível aguardando ignição.

    Perícia! Avaliação isenta! Investigação do destino das doações dos iludidos!

    É uma insanidade manter a mesma cômoda política burra, repetir velhos erros e aguardar resultado diferente!

    Saudações pantaneiras!

    Armando Arruda Lacerda

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