CONHEÇA AS DUAS VENCEDORAS DO PIPA ONLINE 2021

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Após dois turnos de votação, com 59 artistas participando do primeiro e 23 artistas do segundo, e um total de 33,141 mil votos, temos as duas vencedoras do PIPA Online 2021. Mas, antes de anunciarmos o resultado, precisamos elucidar o motivo da demora.

Ao final da votação, uma auditoria interna sempre analisa os votos para ratificar a legitimidade dos mesmos. Neste ano, foram verificadas irregularidades em muitos votos de alguns artistas.

Assim, após comunicarmos o ocorrido ao Conselho do Prêmio PIPA, chegamos à conclusão final de que os votos irregulares deveriam ser eliminados, o que foi feito a partir de uma análise cuidadosa do especialista de tecnologia para identificá-los. Isto gerou um novo placar e um novo resultado.

É importante ressaltar que não estamos acusando nenhum artista de ter utilizado recursos fraudulentos. Por isso, ninguém será desclassificado: apenas reconfiguramos o placar, retirando os votos não-válidos.

Confira abaixo quem são as vencedoras desta edição do PIPA Online 2021. O Prêmio PIPA parabeniza as duas vencedoras, e cada uma receberá uma doação de R$5.000. Diferente dos anos anteriores, em que os vencedores doavam uma obra para o Instituto, não será solicitado nenhuma doação.

Daiara Hori, nome tradicional Duhigô, pertence ao clã Uremiri Hãusiro Parameri do povo Yepá Mahsã, mais conhecido como Tukano. Nasceu em São Paulo em 1982, é artista, comunicadora independente, ativista dos direitos indígenas e pesquisadora em direitos humanos. Seu trabalho artístico fundamenta-se na pesquisa sobre as tradições e a espiritualidade de seu povo, especialmente a partir do estudo sobre o Hori, que são as mirações produzidas pelo kahpi (ayahuasca). Para tanto, Daiara dedica-se a apreender as visões que alcança em sonhos e nos estudos que realiza junto de sua família, observando também as pinturas que se encontram nos objetos tradicionais de sua cultura, nas tramas das cestarias, nas cerâmicas, nos bancos, nas pinturas corporais, que fazem alusão à memória de uma mesma história da transformação, que é a história tukano da humanidade. A artista articula então uma investigação sobre a cultura de seu povo a experimentações com as formas e a luz, buscando compreender a densidade de suas vibrações, bem como a maneira como nos tocam em diferentes níveis.

Site: www.daiaratukano.com

“Morî’ erenkato eseru’ – Cantos para a vida”, 2020, Registro da ativação realizada por Daiara Tukano e Jaider Esbell na exposição Véxoa: nós sabemos na Pinacoteca do Estado de São Paulo, foto de Levi Fanan

Ruth Albernaz (Cuiabá, MT, 1972) é artista-bióloga de origem cabocla, pós-doutoranda em Ensino na Amazônia, IFMT, 2021; doutora em Biodiversidade e Biotecnologia, 2016; autodidata em arte, com pesquisa e produção artística voltadas para as conexões entre ser humano/natureza, xamanismo, benzeções, cura/cuidar, saberes ancestrais e conservação da sociobiodiversidade. Produz pinturas, objetos, instalações e ilustrações. Realiza exposições e curadorias para contribuir com as partilhas sensíveis, a reinvenção do mundo e a re-existência em tempos obscuros. Vive em Chapada dos Guimarães e Cuiabá, Mato Grosso.

Site: www.ruthalbernaz.com.br

“Vôo Xamânico”, 2014, acrílica sobre tela, 80 x 80 cm, Exposição Voos Xamânicos