Economia, turismo e naming rights; entenda o que está em jogo com a permanência do Cuiabá na Série A

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    FORA DAS QUATRO LINHAS

    Da Redação – Wesley Santiago Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

    A permanência do Cuiabá na Série A do Campeonato Brasileiro de 2021 vai muito além das quatro linhas e ultrapassa os muros do CT do Dourado. Para Cuiabá e Mato Grosso, ter um time na elite do futebol também traz outras recompensas, principalmente na economia e turismo. Além disto, também impacta diretamente na venda dos naming rights da Arena Pantanal, que está sendo costurada pelo governo do Estado.

    Atualmente, o Cuiabá ocupa a 15ª posição do Brasileirão, com 43 pontos. O primeiro da zona do rebaixamento é o Bahia, que está em 17º, com 40 pontos (e já com uma partida a mais). Na quinta-feira (02), o tricolor baiano perdeu para o Atlético (MG), que sagrou-se matematicamente campeão.

    Já o Grêmio, se manteve vivo ao vencer o São Paulo, em Porto Alegre (RS) e segue tentando operar um milagre.

    Nesta sexta-feira, o Cuiabá enfrenta o Athlético (PR), em Curitiba (PR), em duelo difícil, já que o time paranaense também corre risco de rebaixamento e está na 16ª posição, com 42 pontos. Campeão da Copa Sul-Americana e finalista da Copa do Brasil, o furacão não quer trazer esta decepção ao torcedor.

    A permanência do Cuiabá na série A do Brasileirão também envolve questões econômicas até para quem não vai à Arena Pantanal acompanhar os jogos. Isso porque, uma partida da elite do futebol nacional ajuda a aquecer a economia da cidade, trazendo torcedores dos times rivais tanto do interior, quanto de outros estados.

    “Seria muito importante [a permanência], para que a gente conseguisse aumentar o apoio ao futebol nacional. É apoio ao esporte, cultura e turismo. O Campeonato Brasileiro movimenta a economia, bares, hotéis, restaurantes, similares. Temos eventos, uma quantidade de pessoas e recursos que se movimenta”, explica o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Alberto Machado, o Beto Dois a Um.

    O secretário lembra ainda que o movimento no turismo engloba tanto quem vem de fora do estado, como de cidades do interior. “Temos clubes que atraem público dos quatro cantos de Mato Grosso. É fundamental que a gente tenha o entendimento mais profundo do que esta permanência pode trazer”.

    O retorno, conforme o secretário, também é institucional para o governo, já que o estado está sendo divulgado para todo o país nas transmissões da TV aberta e paga. Recentemente, o narrador do Premiere leu durante o jogo o slogan ‘Conheça Mato Grosso’, estampado pelo Executivo na camisa do Cuiabá e teceu diversos elogios as belezas naturais daqui.

    Beto pontua também que a permanência é outro fator importante para que o governo consiga vender os naming rights da Arena Pantanal. “Um clube na série A faz muita diferença para que a gente consiga atrair possíveis patrocinadores para colocar recursos da iniciativa privada dentro do estádio. É um leque grande de benefícios para que os times se fortaleçam na Série A e também na B, com outras equipes mato-grossenses”.

    Mato Grosso está em negociações pelo “naming rights” (direitos de nome, do inglês) da Arena Pantanal que podem render contrato de até R$ 8 milhões.

    O secretário explicou que cerca de R$ 6 milhões seriam utilizados para manutenção anual do estádio, cobrindo assim todo seu custo operacional, enquanto o restante do valor seria investido em ações no entorno da Arena Pantanal voltadas para a população cuiabana.

    Sobre o diálogo a respeito das eventuais parcerias, o secretário adiantou que há uma tratativa em curso com a Nissan – que é uma multinacional gigante do setor automobilístico. Além disso, o gestor adiantou que há “conversas um pouco mais avançadas” com ao menos duas empresas ligadas ao agronegócio.

    Duelo importante

    O Cuiabá ainda tem pela frente três duelos: Athlético/PR (fora); Fortaleza (casa) e Santos (fora). Ao todo, são nove pontos em disputa.

    Destes, chama atenção o jogo contra Athlético/PR, que atualmente é treinado por Alberto Valentim, o mesmo que foi demitido do Cuiabá após o empate em 2 a 2, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, contra o Juventude. Antes disso, ele havia sido campeão mato-grossense, ao dirigir o time na reta final.

    A saída de Valentim, que causou surpresa nos torcedores e imprensa após o primeiro jogo do Brasileirão, foi bastante conturbada. Houve um desentendimento entre ele e a diretoria, quanto a questões técnicas.