Advogados são presos, filmam abordagem e denunciam truculência da PM em Cuiabá.

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A situação foi registrada na noite dessa segunda-feira (23), no bairro Pedregal, em Cuiabá.

DAFFINY DELGADO DO REPÓRTER MT

Dois advogados de Cuiabá registraram um boletim de ocorrência contra policiais militares, na noite dessa segunda-feira (23), por agressão e truculência durante uma abordagem no bairro Pedregal. Imagens da confusão foram registradas por câmeras de segurança, às quais o RepórterMT teve acesso.

A situação foi registrada por volta das 20h30, na Rua Maringá. As vítimas são os advogados Rodrigo Marinho e Márcio Camargo.

Vídeos das câmeras de segurança da rua mostram a abordagem. São duas viaturas da PM, com pelo menos 8 policiais. Um dos advogados, Márcio Camargo, já teria passagem anterior por desacato. No momento em que o policial o confronta sobre isso, ele diz: “Faça o que o senhor tem que fazer”. Imediatamente foi cercado, algemado e colocado na viatura, enquanto a esposa dele fala com os policiais, dizendo que ele não fez nada.

No boletim de ocorrência, os policiais citam que o homem os xingou, por exemplo, de “vagabundos e bandidos”. No entanto, no vídeo não é possível confirmar essa versão.

O outro advogado, Rodrigo Marinho, filma toda a ação contra o colega. Assim que Marcio é colocado na viatura, os policiais vão na direção dele. “E aí, amigo. Você tá filmando aí?”, questiona um dos policiais. Ele confirma que filmou a ação e se recusa a entregar o celular. Em seguida, também é cercado pelos PMs, que dizem: “‘Cê vai aprender a xingar policial de filho da p*ta, seu vagab*ndo”. Ele também foi algemado e levado à delegacia, enquanto grita por socorro. (Veja os vídeos abaixo).

Outro lado

O site entrou em contato com a Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) para obter uma resposta sobre o caso. A assessoria informou que está se averiguando a situação e, assim que tiver um posicionamento, entrará em contato.

A abordagem

De acordo com Rodrigo, ele foi chamado para atender um cliente no bairro Pedregal, que estaria sendo agredido pelos policiais durante uma abordagem. Rapidamente, explicou que se dirigiu ao local e se apresentou como advogado.

No entanto, lhe teria sido ordenado que ficasse a pelo menos 15 metros do “suspeito”. Além disso, ele ressaltou que em determinado momento os PMs teriam partido pra cima dele.

“Quando eu cheguei estava cheio de policiais. Ele [cliente] estava imprensando no muro. Desci do carro, e os policiais estavam dando tapa na cara dele e chamando ele de bosta. (…) Eles vieram para cima de mim enfezados, me empurrando com os dedos, me mandando calar a boca. Eu falava: ‘Me respeita, eu estou nos meus direitos, se não vou ter que ligar para a OAB para vocês respeitarem as minhas prerrogativas. Eu estou trabalhando’”, disse.

Em seguida, o advogado entrou em seu veículo para retirá-lo do local, mas teria sido impedido pelos policiais. Com receio pela sua segurança, ele ligou para outros dois colegas para que acionassem a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Quando os advogados Márcio e Ariane, casados, chegaram, a situação se agravou, resultando nas prisões.

“O subtenente Jardel me agredia com muitos tapas na cara, na nuca, e dizia: ‘Eu tenho 26 anos de Polícia e não vai me acontecer nada, já prendi até juiz e não deu em nada, quero ver dar uma coisa se eu prender advogado’”, afirmou.

Todos foram encaminhados para a Central de Flagrantes. O delegado afirmou que não iria arbitrar nenhum procedimento contra os advogados, que foram liberados. A corregedoria da PM deverá ser acionada sobre o ocorrido, para apurar a conduta dos servidores.