Com caixão e velas, empresários fazem carreata e protestam por reabertura em Cuiabá

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    Da Redação – Carlos Gustavo Dorileo / Do local – Arthur Santos Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

    Com caixão e velas, empresários fazem carreata e protestam por reabertura em Cuiabá
    A manifestação chamada de ‘Carreata a favor da vida dos trabalhadores’, que teve início na Praça 8 de Abril por volta das 15h e teve fim na Praça Alencastro, em frente à Prefeitura, foi realizada com o objetivo de sensibilizar o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) a suspender o decreto que proíbe o funcionamento de empresas como shoppings, academias e restaurantes.

    Entre as maiores preocupações dos participantes do protesto estava a falta de uma certeza de até quanto tempo as empresas vão permanecer fechadas e se haverá algum apoio por parte da prefeitura aos empresários e funcionários, que já estão mais de 60 dias sem trabalhar.

    “Já estou com quase 70% do meu quadro de funcionários demitidos. Eu tinha 18 funcionários e agora tenho só quatro. O caos está próximo. Hoje estamos completando 62 dias fechados. O setor é muito sensível e já não aguenta mais uma semana fechado. Não adianta ter MP do Governo Federal para os salários, mas e as outras contas, como é que paga?”, questionou a empresária Lorena Bezerra, proprietária do restaurante Galeto Cuiabano, localizado no bairro Quilombo.

    “O delivery representa só 10% do que faturamos e não dá para um restaurante de 200 lugares trabalhar com 30 entregas por dia. Já vimos que 40% dos colegas do setor não vão conseguir retomar. Vimos o Confrad, um restaurante de 20 anos na Avenida Mato Grosso que já anunciou o fechamento”, afirmou.

    Já a empresária Priscila Mohn de Abreu, proprietária do restaurante Maria Cuiabana Bistrô, no shopping Estação, garantiu que todos os donos de lojas nos shoppings da capital entendem os riscos de voltarem a funcionar durante a pandemia e que estão todos dispostos a seguirem rigorosamente todas as normas que forem impostas para atender os clientes sem nenhum problema.

    “Não queremos voltar como era, mas sim seguindo todas as normas. Nós sabemos todos os princípios que a OMS recomenda e é isso que queremos, reduzir ao máximo os riscos, porque precisamos trabalhar. Temos filhos, temos famílias, assim como nossos funcionários. A não ser que a prefeitura nos dê uma renda para nós ficarmos fechados. Até o momento estou segurando todos nossos funcionários, pois como tenho uma empresa pequena, nos tronamos amigos dos funcionários. Mas se não retomar até o final do mês, infelizmente vamos ter que demiti-los”, explicou.

    Os empreendimentos como shoppings, bares, restaurantes e academias estão com o funcionamento suspensos desde o dia 23 de março, por conta do decreto assinado pelo prefeito Emanuel Pinheiro, que tem adotado medidas severas em relação ao comércio, em função da pandemia do coronavírus.

    Secretário de Saúde volta a cobrar planejamento do Governo Bolsonaro e alerta para “boom” de casos da Covid-19

    Da Redação – Érika Oliveira Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

    Secretário de Saúde volta a cobrar planejamento do Governo Bolsonaro e alerta para “boom” de casos da Covid-19
    O secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, voltou a cobrar o Governo Federal quanto à definição de um plano para enfrentar a Covid-19. Desde a última semana, o Ministério da Saúde está sem comando efetivo. Para o gestor mato-grossense, a falta de uma política em defesa do isolamento social vai provocar um “boom” de novos casos da doença em todo o País por tempo inderterminado.

    “Não tem decisão fácil na pandemia. Tem quem quer que pare tudo, quem quer que abra tudo. E nós vamos ter que arrumar um ponto de equilibrio para tratar desse assunto, sem paixão, sem politicagem e sem demagogia. Nós temos uma curva crescente no Brasil inteiro e eu imagino que ela vá continuar crescendo por um bom tempo, até porque não temos uma política nacional de isolamento e me parece que não é essa a vontade nacional, principalmente pelo próprio Ministério da Saúde que até agora não fez nenhuma grande campanha sobre a pandemia”, considerou o secretário.

    A proposta de uma campanha nacional sobre a pandemia já havia sido apresentada por Gilberto Figueiredo ao ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, durante reunião remota realizada no início deste mês. Teich, no entanto, pediu demissão do cargo na última semana, após divergências com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que até o momento não definiu quem será o novo ministro.

    “Esperamos uma campanha nacional urgente para alertar sobre a pandemia. Isso foi falado com o ministro. Até aqui o Governo [Federal] não investiu nisso. A população precisa entender que estamos em um período de pandemia”, disse Gilberto, na ocasião.

    Neste domingo (17), conforme o ultimo levantamento apresentado pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 16 mil mortes provocadas pela doença. A letalidade (número de mortes pela quantidade de casos confirmados) da doença no País está em 6,7%.

    Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram que a curva de infectados do novo coronavírus em Mato Grosso continua subindo assustadoramente. Em um mês, o crescimento foi de 456%, sendo que somente na última semana foi de 76%.

    “O número não vai cair tão cedo, porque não existe uma vacina e quanto mais flexibiliza, maior a chance de contaminação, isso é dado estatístico e já foi dito milhares de vezes. Estamos trabalhando para dar assistência àqueles que precisarem de hospitais, mas a decisão do que fechar ou não é do governador e de prefeitos. Eu acho que eles devem, cada um na sua condição, analisar as perspectivas, porque tem município que nem tem caso, então cada um no seu tempo. A mim cabe fornecer as informações necessárias para que eles possam tomar suas decisões”, pontuou o secretário.