“Faculdades” faziam festa de formatura em hotel de Cuiabá; veja lista de alvos

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    OPERAÇÃO ZIRCÔNIA

    Magistrada negou pedido de prisão e optou por colocar tornozeleira em alvos do Gaeco

    WELINGTON SABINO – Da Redação Folhamax

    Estudantes que fizeram algum curso de nível superior ou pós graduação nas instituições Polieduca, Faculdade Poliensino e MC Educacional, que funcionam num mesmo local, no bairro Goiabeiras, em Cuiabá, são tratados como vítimas do esquema de falsificação de diplomas, certificados e demais documentos emitidos para comprovar as qualificações. Quem afirma isso é o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) que deflagrou a Operação Zircônia nesta quinta-feira para cumprir mandados de busca e apreensão contra 15 pessoas e contra as três faculdades e bloqueio de R$ 910 mil, além de veículos dos investigados.

    Para enganar as vítimas, os membros da organização criminosa, devidamente estruturada e dividida em cinco grupos, utilizavam indevidamente o nome do Centro Universitário Internacional (Uninter), instituição de ensino com sede em Curitiba (PR). Conforme as investigações, cerca de 130 diplomas foram expedidos até o momento.

    Este fator indica que o esquemas ainda estava no começo, mas ainda assim, já havia rendido quase R$ 1 milhão aos integrantes do grupo criminoso. Cada diploma custava em média R$ 7 mil para cada uma das vítimas, valor que na verdade, era pago pelo curso em si, o que automaticamente dava direito ao diploma no final.

    Com base nesses valores individuais, multiplicados pelos 130 documentos já emitidos é que se chegou ao valor bloqueado nas contas e bens dos alvos da operação. “Os investigados mesmo sem o devido credenciamento junto ao Ministério da Educação (MEC), para ministrarem cursos superiores, ofertavam e ministravam cursos, com rubrica de cursos superiores, de forma ardilosa e fraudulenta, sob argumento que o certificado seria concedido ao final, pela Instituição de Ensino Superior – IES parceira ”, consta na decisão assinada pela juíza Ana Cristina da Silva Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, autorizando busca e apreensão contra 18 investigados (15 pessoas e três faculdades).

    PRISÃO NEGADA

    Ao representarem pela prisão preventiva dos alvos, o que foi negado pela magistrada que avaliou como suficiente apenas a colocação de tornozeleira eletrônica e proibição de manterem contato entre si, os membros do Gaeco explicaram que ao final do “suposto” curso superior é que entrava em cena a falsificação de documentos. “A serem interpelados pelos alunos acerca dos certificados de conclusão, diplomas e históricos escolares, os mesmos falsificavam e ou faziam uso de documento público falso, consistente na expedição de aproximadamente 130 (cento e trinta) diplomas e outra quantidade semelhante de Histórico Escolar de forma fraudulenta em nome da IES Uninter, sendo inclusive, que parte dos contrafeitos foram entregues aos alunos”, diz trecho da decisão.

    Outra “artimanha” adotada pelos envolvidos incluía organizar festas de formaturas, tudo para não levantar suspeita dos estudantes que já tinham investido tempo e dinheiro em cursos não reconhecidos e nem autorizados pelo Ministério da Educação. “Aduzem, ainda, que o suposto grupo criminoso também se valia de outros meios fraudulento, tais como a realização de colação de grau dos alunos em Hotel Fazenda, no intuito de sustentar as fraudes realizadas, fazendo os alunos crerem na ‘autenticidade’ dos documentos entregues, obtendo assim, expressiva vantagem ilícita, consistente nos pagamentos dos cursos”, consta em relatório que embasou a decisão da juíza Ana Cristina da Silva Mendes.

    “Estima-se que, a vantagem ilícita obtida pela suposta Organização Criminosa, através das fraudes nas expedições dos mencionados certificados e diplomas, consistiam no valor de R$ 7.000,00 por aluno, totalizando um montante de R$ 910.000,00), visto que foram expedidos aproximadamente 130 diplomas, informações essas obtidas através dos depoimentos de ex -alunos , colhidos na investigação”, expica a magistrada.

    Na operação foram cumpridos 50 ordens judiciais, das quais 19 foram mandados de busca e apreensão expedidos para Cuiabá e Várzea Grande, além de uma ordem judicial cumprida no estado de Minas Gerais envolvendo um homem, apontado responsável por uma suposta “parceria” com as três faculdades de Cuiabá. Também foram cumpridas ordens de bloqueio e sequestro de veículos e dinheiro nas contas dos investigados até o valor de R$ 910 mil. Os alvos são apontados pelo Gaeco como integrantes de uma organização criminosa  especializada na oferta, realização de cursos e emissão de diplomas, históricos escolares e certificados de conclusão de cursos de ensino superior sem a devida autorização do Ministério da Educação.