‘Minha vida não pode parar’, diz aluna atacada por colega

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“Minha vida não pode parar. As batalhas que enfrentei para estudar não irão por água abaixo”, destaca a estudante Laura Fernandes, 19, que sofreu uma tentativa de homicídio na Escola Estadual Cesário Neto. Apesar da violência sofrida, ela não pensa em deixar a sala de aula e volta assim que se recuperar.

 

Ao GazetaDigital, Laura diz estar amedrontada após pesadelo que viveu, mas não irá se intimidar e desistir de realizar a meta de terminar os estudos.

 

“Eu não pretendo mudar de escola, porque eu quero terminar os estudos. Também não é justo chegar onde eu cheguei, com as batalhas que eu enfrentei para poder ir à escola todos os dias. Com trabalhos que fiz por diversas vezes às 2h da manhã, para ganhar carga horária e terminar esse ano e chegar agora, cair por água abaixo. Eu vou me recuperar e voltar”, afirma.

 

Mãe de duas crianças que também vão à escola, hoje ela reflete sobre a falta de segurança nas salas. Ferida no pescoço e no braço, por pouco ela não teve um final trágico, como do estudante Gustavo Pacheco da Silva, 16, morto a tiros por outros dois colegas, também estudantes da escola Cesário Neto.

 

“Até quando a gente não vai ter segurança nas escolas? Porque eu acredito que a escola é um lugar que a gente deveria estar protegido, né? Eu, como mãe, eu falo: meu filho está na escola, graças a Deus. Mas olha o que aconteceu comigo dentro da minha sala de aula. A gente não está protegido dentro da sala de aula, a gente não está protegido na escola e é essa minha revolta”, pontua.

 

Mesmo diante de uma nova realidade, em prol da recuperação, Laura ressalta que sua vida não pode parar. Ela espera que justiça seja feita e a culpada pague pelo que fez.

 

“Eu creio que ela tem que pagar pelo que ela fez. Pois não pode sair por aí querendo matar uma pessoa por não gostar de algo. Não sei se ela vai ficar presa, se ela vai ser processada, não sei, mas ela tem que pagar. Por pouco ela não tirou a minha vida, por pouco eu não morro e deixo meus dois filho por aí”, lamentou.

 

Suelen Acosta Marques, 22, suspeita de golpear a colega, se apresentou à polícia no dia 16 e se manteve em silêncio. A Polícia Civil segue com investigação do crime.

 

O caso

Laura Fernanda, 19, foi golpeada com um objeto cortante no pescoço e no braço, na noite do dia 14 de setembro, pela estudante Suelen Acosta Marques, 22, na Escola Estadual  Antônio Cesário de Figueiredo Neto, em Cuiabá.

 

Em entrevista ao programa Cadeia Neles, a vítima, líder da sala, explicou que a suspeita a atacou por acreditar que estava sendo zombada, durante uma resposta que ela teria dado a professora  sobre a ausência de um colega.

 

“Quando eu respondi, ela achou que eu estava jogando uma piadinha para ela. Foi quando ela levantou, sacou… creio que não fosse faca, mas era alguma coisa pequena e com ponta, porque só em uma cirurgia foram 10 pontos. Ela tirou da cintura e desferiu para cima de mim”, afirmou.

 

A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde ela permaneceu por 8 dias internada. 

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