Tese aponta origem indígena em VG

0
389

DEU EM A GAZETA

Lázaro Thor Borges lazaro@gazetadigital.com.br

Divulgação

A história oficial de Várzea Grande, que completa 153 anos nesta sexta-feira (15), indica que a cidade foi fundada em 1867, por ocasião da construção do Acampamento Magalhães, na margem direita do rio Cuiabá, feito pelo presidente da província de Mato Grosso, José Vieira Couto de Magalhães, para manter paraguaios presos durante a Guerra da Tríplice Aliança.

Mas há outra história que aponta outra possível data de nascimento para a cidade: o ano de 1832. A data marca a concessão de terras pelo governo imperial aos índios guanás, população que teve uma importância social, política e econômica para ir povoando e criando um aldeamento no território onde hoje se localiza a cidade industrial. Se a lógica fosse esta, a cidade seria ainda mais antiga e faria 188 anos nesta sexta.

A pesquisadora Verone Cristina da Silva, mestre em história e doutora em Antropologia, descobriu a importância dos guanás para a cidade quando realizava estudos sobre populações ribeirinhas do rio Cuiabá. Em 1999, no bairro Alameda em Várzea Grande, ela conheceu Boamorte Manoel de Campos, um velho pescador de 75 anos que se dizia guaná.

Verone mostrou em sua dissertação de mestrado que os guanás saíram do município de Albuquerque, onde hoje é Mato Grosso do Sul, da missão de Nossa Senhora da Misericórdia. Migraram por ocasião da nomeação do missionário capuchinho José Maria de Macerata, que virou chefe da Diretoria Geral dos Índios em Cuiabá. Macerata era chefe da missão em Albuquerque e sua chegada provocou a vinda para a região que trouxe cerca 400 guanás.

“Os guanás tem uma importância muito grande para a constituição e a formação do que hoje é a chamada Várzea Grande”, conta Verone. Ela admite que a história dos guanás foi invisibilizada pela história oficial, que dá mais destaque ao acampamento Couto Magalhões. O historiador Suelme Fernandes, que estudou o acampamento, concorda com a pesquisadora.

“O acampamento não estava em Várzea Grande, falaram isso para promover Couto Magalhães, a logística começou com o aldeamento indígena dos guanás, eu acho muito mais razoável isso”, critica o historiador.

Símbolo de VG, Scort Som comemora os 153 anos da cidade com homenagem

Thalyta Amaral thalyta@gazetadigital.com.br

GazetaDigital

Selo aniversário de Várzea Grande

Símbolo do lambadão de Várzea Grande, a banda Scort Som tem 30 anos de história e amor pela cidade onde começou a tocar há 30 anos. O primeiro show foi realizado em uma boate no Jardim Glória, um dos bairros tradicionais da Cidade Industrial, que completa 153 anos nesta sexta-feira (15). O amor pelo município é tanto que o repertório conta até com música de homenagem

“Várzea Grande, jamais vou te esquecer”, diz um verso da canção feito em homenagem à Várzea Grande. Um dos fundadores da banda, Miguel Santana, 57, afirma que a cidade é o point do lambadão, por receber todos os grupos desse estilo musical.

“Aqui é o foco do lambadão, é a cidade do lambadão mato-grossense. Recebe bem todo mundo. Festa de lambadão é sempre lotada. Por isso que não está tendo agora, porque é muita aglomeração e com esse vírus não dá para brincar”, explica o cantor.

Na cidade que tão bem os acolheu nesses 30 anos de carreira a Scort Som já atraiu mais de 3 mil expectadores para dançar a noite inteira. “Fizemos festa de santo que lotava, tocávamos 3 dias direto e sempre estava cheio. A gente está acostumado, às vezes a gente sai na quinta-feira e só volta para casa na segunda, só viajando e tocando”.

Reprodução/Facebook

Scort Som

E nessas mais de 3 décadas de muita animação e música, pela primeira vez eles precisaram dar um “tempo” na carreira. Não por decisão dos 10 integrantes, mas por causa da pandemia do novo coronavírus. Além de não poderem fazer shows, não farão a festa mais esperada do ano, o aniversário de Várzea Grande.

“A gente tem muita saudade. É algo que faz falta, tanto na parte financeira quanto no coração. A gente vive do lambadão. Construímos casa, compramos carro. Torcemos muito para tudo isso passar para poder voltar aos palcos”, desabafa Miguel.

No próximo show que for possível, o artista já sabe a música que obrigatoriamente estará na lista e sempre é a mais pedida pelos fãs. “Mamãe to voltando pra casa não pode faltar. Em qualquer lugar que a gente vai, pedem”.

Com composições autorais, compostas pelos próprios integrantes, a Scort Som continua se reinventando, para continuar entre as bandas de lambadão mais contratadas e lembradas de Mato Grosso. O último lançamento fala sobre o momento em que a sociedade vive.

“Já está tocando nas rádios e na internet. A música se chama ‘Prevenção’ e fala para as pessoas terem cuidado e ficarem em casa por causa desse coronavírus”, explica Miguel.

Em cerca de 3 minutos, a banda passa a mensagem que é recomendação da Organização Mundial da Saúde. “A máscara e o álcool em gel é para a nossa proteção, mas, o melhor de tudo, lavar as mãos com álcool e sabão. Vamos manter a distância, nada de aglomeração. Sem beijinho no rosto, nada de apertar a mão”.

E é a consciência sobre a gravidade da pandemia que Miguel deseja para Várzea Grande nesses 153 anos. “Desejo que o povo fique em casa, para ver se acaba logo essa pandemia. Infelizmente não estão levando a situação a sério. Vamos deixar para sair quando não tiver mais problema e a gente puder se divertir”.

Para celebrar os 153 anos, confira 5 curiosidades sobre VG

FacebookPrintgoogle plus
Yuri Ramires

yuri@gazetadigital.com.br

GazetaDigital

Selo aniversário de Várzea Grande

Para comemorar os 153 anos de Várzea Grande, a segunda maior cidade de Mato Grosso, o  separou 5 fatos inusitados sobre a cidade, que podem ser novidade para muita gente, ou não. Mas, os fatos servem para mostrar o quanto a cidade foi e é importante no desenvolvimento de toda a Baixada Cuiabana.

1 – Sarita Baracat, primeira mulher deputada estadual

Muito antes de Lucimar Campos (DEM) ser uma das mulheres protagonistas da política estadual, Sarita já quebrava tabus lá na década de 1960. Usava calças compridas quando ainda não era bem visto a peça para mulheres, fumava e discursava.

O protagonismo político dela rendeu mandato de vereadora, além de levá-la para o cargo de prefeita de Várzea Grande em 1966. E em1978 foi eleita a primeira mulher deputada estadual de Mato Grosso.

2 – Baladas clássicas

Reprodução/Facebook

Lugares que Marcara Época - El Templo

Centro de Várzea Grande já foi ponto alto de muita badalação, especialmente na nas décadas de 1990 e 2000, com o auge da Dance Music. Exemplo disso foi a El Templo, que conquistou uma geração de jovens de todas as classes sociais da época. Outra boate que fez o nome na noite de VG foi a Consulado.

Um dos proprietários da El Templo, Nelson Pasinato, contou que em um noite cerca de 80% dos pagamentos foram feitos por clientes de Cuiabá, mostrando que moradores da Capital caíram na graça da ‘boate do interior’. Sobre as baladas de lambadão, essas nunca saíram de moda e podem ser encontradas vários dias da semana, em vários pontos da cidade, mas só depois da quarentena, viu?

3 – Restaurante Avião

Ainda na década de 1990, restaurante chamava atenção na avenida João Ponce de Arruda, em frente ao Aeroporto Internacional. O Avião tinha um letreiro luminoso, e, ao lado, uma réplica pequena de um avião. Aos fundos, o restaurante grande, com pouca luz, além de uma área com bastante mangueira e quiosques espalhados pelo quintal, onde costumavam jantar casais e famílias.

No fundo do restaurante, um tobogã enorme, que parece nunca ter sido concluído, junto com uma piscina. Crianças idealizavam descer por ele, mas quase sempre frequentavam o local de noite. Além disso, contava com um parquinho todo feito de madeira. O restaurante fechou há alguns anos, mas deixa saudade.

4 – Já foi morada de Neymar e família

Reprodução/Facebook

Neymar

Criança, o jogador Neymar morou em VG com sua família. O pai dele, também Neymar, foi jogador do Operário Esporte Clube em 1997, ano em que o time foi campeão estadual.

Uma foto antiga em que pai, filho e a irmã aparecem juntos circulou nas redes sociais em 2017, ou seja, 10 anos depois que foi tirada. Neymar filho só tinha 6 anos. No final da temporada, família deixou VG e começou a trilhar a jornada do camisa 10.

5 – Sorveteria Alaska é várzea-grandense

Apesar de ter se tornado uma das maiores fábricas de sorvetes de Mato Grosso, a Alaska nasceu em Várzea Grande. Sim, há mais de 40 anos, inclusive. A primeira loja foi aberta na avenida Couto Magalhães, em 1979.

O mesmo ponto onde ainda funciona a sorveteria, que mudou muito desde a sua primeira loja, começando pela logomarca, bem como os sabores dos sorvetes. Sem dúvida, um ponto de encontro na cidade industrial.