UTI do Hospital de Câncer De Mato Grosso utiliza técnicas de eletroterapia para reduzir dor e melhorar a força de pacientes

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A dor e a fraqueza muscular podem ser algumas das principais dificuldades de quem precisa ficar em uma UTI, mas a tecnologia pode ajudar a alivia-las.

 Ao ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva, o paciente está sujeito a diversos distúrbios, advindos da própria doença, mas também pelo fato de estar acamado e pelo estigma que a palavra UTI carrega. No entanto, uma queixa comum em mais de 70% dos pacientes que passam pela unidade, tem a ver com dores, e o simples fato de estar em repouso já diminui a força muscular da maioria das pessoas.

Quase todos já tivemos uma dor de cabeça, aquela batida com o dedinho na quina ou algum outro tipo de dor. Imagine agora uma dor constante, por vários dias, e ainda internado em um Hospital. O mesmo problema é enfrentado em relação à fraqueza muscular. Em alguns casos, a pessoa pode não conseguir mais fazer atividades rotineiras, como escovar os dentes.

Por isso, é comum que os pacientes com dor demonstrem maior irritabilidade, fadiga, medo, depressão e até mesmo sentimento de desamparo, que acabam prejudicando o tratamento da doença, e afetam a qualidade de vida do paciente.

Existem diversos métodos para tratar a dor, mas na UTI Adulta do HCanMT, a equipe de Fisioterapia utiliza um protocolo ‘chocante’. Com o uso de um aparelho eletroestimulador, o fisioterapeuta pode realizar um trabalho de controle da dor logo que o paciente interna. Através de eletrodos colocados sobre a pele, o equipamento emite pequenos pulsos elétricos em zonas específicas que, dependendo das configurações, podem gerar efeitos analgésicos, anti inflamatórios e de contração muscular.

Com isso, é possível reduzir o uso de morfina e melhorar a resposta dos pacientes aos tratamentos, mesmo quando possuem dor crônica. Com a redução da dor, fica mais fácil para o paciente participar ativamente do tratamento, dos exercícios e outras atividades para fortalecer a musculatura e permitir que ele tenha uma alta mais cedo e com menos problemas.

Como funciona a eletroestimulação

Correntes e sinais elétricos são responsáveis pelas sinapses em nosso cérebro, pelo comando de movimento dos músculos e também pela percepção de dor. A técnica utilizada é conhecida como Eletroestimulação Neuromuscular (EENM) de baixa ou média frequência. Ao inserir no corpo uma corrente elétrica, podemos simular comandos para um movimento ou interferir nos sinais que nosso cérebro vai receber sobre a dor em um ponto específico.

O equipamento disponível no HCanMT utiliza quatro canais de corrente elétrica, que podem ter suas intensidades ajustadas independentemente. Os três principais modos de aplicação são conhecidos como Corrente Russa, FES e TENS. As duas primeiras formas geram correntes elétricas que auxiliam no disparo motor do músculo, gerando contração muscular, o que pode aumentar a força ao mesmo tempo em que melhora o fluxo de sangue e drenagem de líquidos na região.

Já na modalidade TENS, o profissional promove uma estimulação elétrica nervosa transcutânea, com a emissão de correntes pulsadas a fim de despolarizar as fibras nervosas que geram a percepção de dor, estimulando a produção natural de endorfina e bloqueando parte do sinal doloroso.

Resultados do tratamento

Com o uso da EENM pela equipe de Fisioterapia, os pacientes oncológicos internados apresentaram melhor adaptação e aceitação dos tratamentos fisioterapêuticos, o que proporcionou melhor recuperação, diminuição dos casos de imobilismo e prevenção de danos agravantes.

Mesmo que não seja suficiente para eliminar a dor por completo, a técnica reduz o uso de medicamentos e melhora muito o conforto e qualidade de vida do paciente. Por isso, é utilizada como uma técnica coadjuvante, um meio para que os outros tratamentos sejam ainda mais eficazes.

Sempre que recebemos um paciente, é importante prestar atenção a todos os aspectos, tanto os relacionados à doença quanto aos aspectos psicológicos e sociais. Especialmente quando falamos de uma UTI em um Hospital de Câncer, o amparo se torna essencial e, neste cenário, a Eletroterapia é uma das ferramentas que podem iniciar um ciclo de recuperação, adaptação e conforto.

Carlos Marcoski e Leandro Duarte são Fisioterapeutas na UTI Adulta do Hospital de Câncer de Mato Grosso e especializados em Terapia Intensiva Adulta e Pediátrica e Fisiologia do Exercício.