VICENTE VUOLO – Los Angeles, sétima arte Los Angeles é a cidade que respira o empreendimento cultural

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Sempre que visito uma nova cidade, sinto o desejo de entender a sua história a partir da curiosidade que me impulsiona por tudo. Los Angeles não foi diferente, apesar do gigantismo da cidade californiana, com cerca de 15 milhões de habitantes na região metropolitana. A cidade me encanta pela forma de vida alegre do seu povo, que vive com excelente qualidade de vida.

Fundada pelos jesuítas em 1781, em nome da Coroa de Espanha, tornou-se parte do México, em 1821, após sua independência da Espanha. Los Angeles foi incorporado como município em 1850, cinco meses antes da Califórnia se ter tornado um estado dos Estados Unidos.

“LA” foi batizada pelo fundador e governador espanhol Dom Felipe de Neve de “Vila de Nossa Senhora Rainha dos Anjos do Rio de Porciúncula”, daí o apelido de “Cidade dos Anjos”. É, hoje, um centro mundial de negócios. É classificada como uma das cidades mais economicamente poderosas do mundo, principalmente, pelo entretenimento (televisão, filmes, jogos de vídeo, arte, música), aeroespacial, tecnologia, petróleo, moda, roupa e turismo.

E por que Hollywood se tornou a capital do cinema? O clima californiano foi, sem dúvida, um dos principais motivos. Era perfeito para filmagens: o sol brilhava o ano todo

Los Angeles é a cidade que respira o empreendimento cultural. A atração maior é Hollywood, onde estão os maiores estúdios de cinema do mundo. É a capital da Sétima Arte. O termo “sétima arte” foi estabelecido pelo intelectual italiano Ricciotto Canudo no seu “Manifesto das Sete Artes”, em 1912, que propôs que o cinema fosse considerado com a Sétima Arte, aumentando a lista precedente de Hegel. De acordo com o filósofo germânico a lista era composta apenas por Arquitetura, Escultura, Pintura, Música, Poesia e Dança.

E por que Hollywood se tornou a capital do cinema? O clima californiano foi, sem dúvida, um dos principais motivos. Era perfeito para filmagens: o sol brilhava o ano todo e as paisagens podiam ser facilmente adaptadas às mais variadas tramas – há ali tanto deserto quanto mar e montanhas para serem utilizados como cenários naturais.

Espalhado por mais de 168 ha, encontra-se o maior estúdio e parque temático do mundo – o Universal Studios Hollywood. O parque já conta com mais de 50 anos de funcionamento. É tão grande, que as atrações do Universal Studios são divididas em duas partes: A Upper Lot é a área de cima do parque e a Lower Lot, a parte de baixo. Escadas rolantes gigantescas fazem ligação entre elas e os visitantes podem se encantar com seu visual glamouroso. As áreas temáticas do parque provocam uma sensação incrível, como se estivesse inserido em cenários de grandes franquias cinematográficas. Não há como deixar de aventurar no mundo mágico de Harry Potter e conhecer o maravilhoso castelo de Hogwarts; a montanha-russa temática do filme “A Vingança da Múmia”, completamente no escuro; o simulador que você se sente dentro de uma batalha frenética entre os carros robôs de “Transformers”; a montanha-russa com as aventuras dos personagens da família Simpsons: Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie, dentre outras.

Como toda a Califórnia, também sofrem com os problemas que estão se agravando rapidamente em função do aquecimento solar. Água e energia são bens escassos por lá. Mas o governo, a iniciativa privada e as pessoas estão se mobilizando em alternativas e alterações nos hábitos cotidianos.

De certa forma, esse foi sempre o perfil do californiano. São homens e mulheres que lutam todos os dias, são criativos e as políticas públicas são estáveis. O poderio econômico da região tomou impulso com a corrida do ouro a partir de 1848, mas conseguiu se consolidar na diversificação das atividades econômicas e com a constante presença do Estado no financiamento dos empreendimentos privados.

É um exemplo que podemos seguir, conhecendo melhor como fizeram e procurando adaptá-lo às nossas condições. Eles não adiam as soluções de seus problemas, por isso não prolongam seus problemas.

VICENTE VUOLO é economista, cientista político e coordenador do movimento Pró-VLT.